Domingos Bomtempo

Pianista e compositor, foi um dos reformadores da música portuguesa da sua época. João Domingos Bomtempo nasceu em Lisboa, a 28 de dezembro de 1771, e morreu a 18 de agosto de 1842. Descendia do músico italiano Francisco Xavier Bomtempo. Depois de ter concluído os estudos de Música, estudou oboé e contraponto com o seu pai no Seminário Patriarcal de Lisboa. Aos 14 anos ingressou na Irmandade de St.a Cecília como cantor da capela real da Bemposta.

Após a morte do pai, partiu para Paris (1801) com uma carta de recomendação do Barão do Sobral. Durante a estadia em Paris contactou com grandes músicos como Clemente Muzio e o seu discípulo John Field, que o influenciaram artística e estilisticamente. Desde então publicou uma série de obras, de que se destacam Grande Sonata Pour le Piano Fort e Composé et dedié à son Altesse Royale la Princesse de Portugal. Algum tempo depois produziu um Primeiro Concerto em Mi Bemol Para Piano e Orquestra e Variações Sobre o Minueto Afandagado. Teve o privilégio de tocar com o primeiro rabequista francês Filipe Liber. Em 1809 compôs a sua primeira grande sinfonia de orquestra, que seria executada um ano depois.
Após as várias vitórias do exército português sobre o exército de Napoleão, Domingos Bomtempo partiu para Londres onde se tornou uma celebridade. Foi nesta cidade que grande parte das suas obras foram impressas. Para a celebração da expulsão dos franceses de Portugal, compôs uma cantata intitulada Hino Lusitano, com versos de Nolasco da Cunha. Em seguida publicou a Primeira Sinfonia para Dois Executantes a Piano; Quarto Grande Concerto para Pianoforte (foi executado pelo músico num concerto em Hannover Square); Uma Sonata Fácil; Grande Fantasia; Duas Sonatas e Uma Ária Popular para Piano Forte

Em 1815 voltou para Portugal. Aquando da ascensão ao trono do rei D. Fernando IV de Espanha foi-lhe encomendada uma obra que ele denominou de Anúncio da Paz. Voltou para Paris em 1818 mas a política baniu a vida artística. De regresso à pátria, compôs Requiem à Quatre Voix... consalée à la memoire de Camões. A 28 de março de 1821, fez ouvir em S. Domingos uma nova missa em homenagem à Regeneração portuguesa, seguida de um Te Deum. Tornou-se o músico oficial do constitucionalismo. 

Escreveu uma sinfonia fúnebre e um Liberta-me para celebrar o primeiro aniversário da morte de D. Pedro (1835). Nesse mesmo ano fundou o conservatório do qual foi diretor. A 7 de agosto de 1842 alunos e professores do Conservatório executaram uma missa festiva na Igreja dos Caetanos, escrita e dirigida pelo músico. Passados onze dias deste acontecimento morreu. D. Maria II fez-lhe pomposas exéquias.
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