Domingos Van-Dúnem

Escritor e jornalista angolano, Domingos Van-Dúnem nasceu em 1925 na região do Caxito, numa localidade chamada Mbumba, em Angola.
Depois de feita a escola primária na cidade de Luanda, onde aliás viveu grande parte da sua vida, o autor dedica-se à atividade jornalística. Nesta qualidade, em 1945, exerceu as funções de secretário do jornal O Farolim que se publicava em Luanda, desde o ano de 1932. A partir dos últimos anos da década de 40, intensificou esta atividade, colaborando com alguns jornais angolanos, moçambicanos e mesmo portugueses.
Em 1948, aproveitando a nova conjuntura política, decorrente do fim da Segunda Guerra Mundial, ao lado de um conjunto de intelectuais angolanos, ajudou a criar o "Movimento dos Novos Intelectuais de Angola" (MNIA) cujo lema "Vamos Descobrir Angola!" constitui a expressão exata da vontade de exortar essa Angola que queriam ver descoberta. De facto, não aceitavam o ostracismo a que era votada a sua Terra-Mãe que desconheciam na totalidade dos seus aspetos, enquanto, por outro lado, lhes era imposto o estudo de Portugal Continental, dos seus rios, montanhas, culturas, linhas férreas e ramais, etc. Cerca de dois anos mais tarde, a partir da Associação dos Naturais de Angola (ANANGOLA, em língua quimbundu Ana+Ngola = filhos de Angola), o autor, ao lado de nomes como os de Viriato da Cruz, António Jacinto e Agostinho Neto, entre outros, vai participar na fundação da revista Mensagem, enquanto veículo de transmissão de uma produção intelectual divulgadora do espírito de angolanidade.
Elemento da Geração da Mensagem, também conhecida, nos meios literários angolanos, como a geração de 50, Domingos Van-Dúnem evoca frequentemente na sua obra o momento da infância e o amor à sua terra natal. Este tempo e este espaço surgem contudo referidos como forma de se libertarem das agruras e desilusões de que começavam a tomar consciência, nomeadamente a de sentirem a sua terra não como sua mas como terra de estrangeiros.
Em 1961, dadas as suas atividades políticas, o escritor esteve preso na colónia penitenciária da Baía dos Tigres (Província de Namibe).
É autor de uma obra jornalística e ficcional reconhecida e marcada pela experiência individual e coletiva vivida pela sua geração num contexto colonial que só foi publicada depois da Independência de Angola, em 1974. São suas as seguintes obras: A Praga (conto publicado, em 1947, nas páginas do jornal Diário de Luanda); Auto de Natal (1972), pelo qual recebeu o prémio Óscar Ribas, Uma História Singular (1975); Milonga (1985) ; Dibundu (1988) e Kuluka (1988) e O Panfleto (1988).
Para além de escritor e jornalista, Domingos Van-Dúnem exerceu, após a independência, alguns cargos em instituições culturais, dos quais se destacam o de diretor da Biblioteca Nacional de Angola e o de representante permanente da República de Angola na sede da Unesco, em Paris, entre 1982 e 2002.
A 27 de dezembro de 2003, Domingos-Van-Dúnem morreu em Paris, em resultado de doença prolongada. Em presença do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, foi enterrado a 31 de dezembro, no cemitério de "Alto das Cruzes", em Luanda.
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