Dominique Perrault

Arquiteto francês, nascido em 1953, Dominique Perrault recebe o diploma de arquiteto em 1978, pela Escola Superior de Belas-Artes, Paris; em 1979 recebe o diploma superior de planificação urbana, pela Escola Superior des Ponts et Chaussée, Paris; e em 1980 pós-gradua-se em História, pela Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais, igualmente em Paris.
É membro da Academia de Arquitetura de França; desde 1998 é presidente do Instituto Francês de Arquitetura (IFA); cavaleiro da Legião de Honra; membro honorário da Associação de Arquitetos Alemães (BDA) e do Real Instituto de Arquitetos Britânicos.
Desenvolve desde 1997 a atividade académica, lecionando nos Estados Unidos (Nova Orleães e Chicago), Espanha (Barcelona) e Suíça (Zurique). Tem obras e projetos publicados em livros e revistas da especialidade desde 1994, e em diversos países, como Suíça, Alemanha, França, Itália, Portugal, Austrália e Espanha.
A maioria das suas obras incide sobre projetos de grande dimensão e larga escala, quase sempre institucionais. Alguns deles são consequência dos inúmeros concursos de arquitetura em que participa, destacando-se sete, em que recebe o 1.° prémio: Biblioteca Nacional de França, Paris (1989-1995); Velódromo e Piscina olímpicos, Berlim, Alemanha (1991/1998-1999); Câmara Municipal e Centro Comercial, Innsbruck, Áustria (1996); ampliação do Tribunal Europeu de Justiça, Luxemburgo (1996-2007); Mediateca Central de Venissieux, França (1997-2001); Piazza Gramsci, Cinisello Balsamo, Itália (1999-2003); e ordenamento da frente da Praia de Las Teresitas, Tenerife, Espanha (2000- ).
Recebe diversos prémios e menções de arquitetura desde 1983, em particular os 1.os prémios AMO (arquiteto/cliente), da revista Moniteur (ambos em 1990), e Europeu Constructa'92 pelo Hotel Industrial Jean Baptiste Berlier, Paris (1986-1990); em 1997, o Prémio Mies van der Rohe para Arquitetura Europeia, atribuído pela Fundação Mies van der Rohe e Parlamento Europeu, pela Biblioteca Nacional de França; e em 2000 o 1.° prémio no Concurso AIT de Mobiliário de Escritório, pela Cadeira de Leitura da Biblioteca Nacional de França.
Para além dos já referidos, destaque para as seguintes obras e projetos: Biblioteca de Kansai-Kan, Quioto, Japão (1996, concurso); Fábrica Aplix, Le Cellier, Nantes (1997-1999); Supermercado M-Preis, Wattens, Áustria (1999-2000); Cidade da Cultura Galega em Santiago de Compostela, Espanha (1999, concurso com o 1º prémio atribuído ao arquiteto Peter Eisenman); Jardim Botânico Nacional de Chevreloup, Versalhes, Paris (2000-2002); e o Hotel Nova Diagonal, Barcelona, Espanha (2001- ). No que toca a arquitetura doméstica, de entre tão vasta obra destacam-se apenas duas casas: Villa One, Côtes d'Armour, França (1992-1995); e Bonte, Bretanha (2000- ). Isto provavelmente porque, entre outros motivos, na arquitetura doméstica é difícil e complicado eticamente (já que o utilizador é um indivíduo ou grupo de indivíduos caracterizados e específicos), subverter alguns dos métodos e sintaxe arquitetónica moderna (imagem, linguagem e iconologia).
Segundo o discurso do próprio, a arquitetura de Dominique Perrault escapa à definição no sentido em que sempre está por definir, por perceber, por especificar. À semelhança do arquiteto holandês Wiel Arets, Perrault entende a arquitetura já não como um objetivo em si mesma, mas antes como um instrumento, um meio de interação.
Protagonista, monumental, cosmopolita por condição, as suas obras são quase sempre institucionais, por isso mesmo representativas da autoridade; no entanto, subverte esta autoridade, transferindo-a para o processo arquitetónico, pretendendo uma obra aberta, disponível, mutável; mas também difícil, porque é esmagadora, sendo necessário um espírito que se questiona e interroga para descobrir, entender e usufruir a sua obra; ultrapassado o impacto da imagem, é necessária a vontade de descobrir o objeto, ou antes, o cosmos que cada uma das suas obras quase sempre gera. Contraditoriamente, na sua arquitetura reside o autoritarismo da alternativa, porque permite/obriga a questionar, porque nega a oferta dos signos convencionais e convencionados da arquitetura, procurando novas estratégias significantes; por exemplo, rejeita a noção física de porta, transformando o ato de entrar em todo um percurso e descoberta um meio de entranhar o indivíduo no próprio objeto.
Explora a mutabilidade e o efémero na imagem, na tentativa de gerar a renovação, de atingir o perene na essência e na existência. Defende a obra aberta, em transformação permanente, pelo que só pode ser apreendida no seu dinamismo e vibração; fotografá-la, representá-la, defini-la é amputá-la, diminui-la.
Intervindo quase sempre em áreas não totalmente consolidadas, à procura de identidade, nos espaços residuais da cidade do movimento e dos fluxos, e/ou em zonas que requerem uma estratégia de renovação e revitalização, a sua postura é a da introversão, por muito paradoxal que isto pareça.
A investigação e o experimentalismo, quase ao ponto da subversão, estendem-se, inclusive, ao processo de trabalho. Defendendo a neutralidade do processo de desenho, afirma a disponibilidade da matéria como veículo de exteriorização. Entende que nos materiais e na exploração das suas características intrínsecas, até ao mais ínfimo pormenor, reside o foco de atenção da arquitetura, a sua essência transformadora. Partindo de elementares diagramas formais de análise e síntese, concentra-se nos materiais, no tectónico por excelência. Para além de uma imagem imediata e mediática, fugaz e mutável, existe uma violência da abdicação e da abstração; a sua arquitetura é infraestrutural por excelência, portanto, neutra; detém a eficácia da verdadeira máquina, sem os sentidos conotativos atribuídos pelo arquiteto Le Corbusier.
Caracteriza por tudo isto um movimento de e em transformação para além do moderno, do racionalismo ou do minimalismo; uma rutura, da qual para já é difícil avaliar as consequências e hipóteses de verdadeira alternativa e continuidade.

Como referenciar: Dominique Perrault in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-21 19:11:31]. Disponível na Internet: