Douglas Engelbart

Cientista norte-americano, Douglas Carl Engelbart nasceu a 30 de janeiro de 1925, na cidade de Portland, em Oregon, e faleceu a 2 de julho de 2013.
Em 1942 terminou o liceu em Portland e ingressou na Universidade Estadual de Oregon (Oregon State University), no curso de engenharia eletrónica.
Na altura, Engelbart não tinha quaisquer planos de carreira mas interessava-se bastante por radares, então uma das novas tecnologias militares, pelo que no fim do primeiro ano de Universidade submeteu-se a um teste da marinha americana. Embora não tivesse interesse em seguir uma carreira militar, Engelbart passou o teste e foi aceite num programa de formação com um ano de duração. Em 1945, enquanto esperava a dispensa do serviço militar num hospital da Cruz Vermelha nas Filipinas, deparou-se com um artigo de uma revista que o fascinou: intitulava-se as we may think (Como poderemos pensar), da autoria de Vannevar Bush, e discutia o futuro emprego das máquinas como complemento do intelecto humano.
Este artigo, aliado à sua experiência como técnico de radar, moldaram visivelmente a forma como Engelbart veio a imaginar os computadores, e a forma como estes deveriam mostrar a informação.
A seguir à guerra, Douglas Engelbart regressou à Universidade de Oregon, onde, em 1948, concluiu o seu bacharelato em engenharia eletrónica.
Após a graduação, conseguiu um emprego no laboratório aeronáutico de Ames (Ames Aeronautical Laboratory), em Mountain View, Califórnia, como engenheiro eletrónico.
Foi nesta altura que se começou a preocupar com o processo do pensamento humano e com as ferramentas que os humanos utilizam para o ajudar - teve aqui início o desenvolvimento do que viria a chamar de "Teoria de aumento" (theory of augmentation), que previa o incremento do intelecto humano através de máquinas responsáveis pela parte "mecânica" do pensamento e partilha de ideias.
Na altura existiam muito poucos computadores no país e a única forma de os operar era recorrer ao uso de cartões perfurados , mas Engelbart já imaginava que a relação Homem - máquina poderia ser muito facilitada, desde que as ferramentas que permitissem esse relacionamento pudessem ser desenvolvidas. Contudo, precisou de quase 10 anos para encontrar alguém que levasse a sério as suas ideias.
Em 1951, Engelbart decidiu entrar mais a fundo no mundo dos computadores, e deixou Ames para ingressar na Universidade de Berkeley, na Califórnia, que na altura conduzia um projeto de construção de um computador digital para utilização generalizada.
Embora só tenha tocado num computador em 1953, e não tenha conseguido convencer nenhum dos seus colegas a investigar as suas ideias, Engelbart obteu o doutoramento em engenharia eletrónica com especialização na vertente de computadores em 1955, e permaneceu mais um ano na Universidade a ensinar.
Esperando desenvolver algumas das patentes obtidas ao longo do seu trabalho de doutoramento para assim conseguir obter financiamento para as suas pesquisas, Engelbart começou um pequeno negócio, que encerrou em 1957 ao aperceber-se de que a indústria de semicondutores ia deitar por terra muitas das suas anteriores pesquisas.
Foi então trabalhar para o Stanford Research Institute, em Menlo Park, Califórnia, onde conseguiu persuadir a direção a aplicar uma parte do orçamento destinado a investigação e desenvolvimento nos seus esforços.
O lançamento da nave espacial russa Sputnik, em 1957, acabou também por contribuir para o desenvolvimento das ideias de Engelbart, pois ao ver a sua superioridade tecnológica comprometida, o governo dos EUA lançou a ARPA (Advanced Research Projects Agency), um projeto destinado a financiar novos projetos de investigação científica que pudessem ajudar o país a recuperar o seu tradicional avanço e poderio.
Assim, em 1963, a ARPA atribuiu a Engelbart o financiamento necessário para que este construísse um laboratório que permitisse levar a tecnologia dos computadores a uma nova etapa. O cientista deu-lhe o nome de Augmentation Research Center, e aí criou o On-Line system (NLS), o primeiro ambiente integrado para processamento de ideias. O sistema utilizava várias ferramentas novas, (que hoje em dia se consideram corriqueiras), como um rato para seleção no ecrã, teleconferência em ecrãs partilhados, ligações por hipertexto, processador de texto, e-mail, sistemas de ajuda online e um ambiente de janelas.
Em 1968 Engelbart e o seu grupo demonstraram o equipamento na "Fall Joint Computer Conference", em S. Francisco, usando perante uma vasta audiência acessórios como um teclado, um rato, e um microfone colocado na cabeça.
Foi o primeiro modelo funcional do que seriam os computadores do futuro.
No principio dos anos 70, a ARPA decidiu cancelar o financiamento, e o Augmentation Center acabou por fechar as portas em 1977.
Muitos dos membros da equipa foram então trabalhar para o Palo Alto Research Center, um novo centro de pesquisas construído pela Xerox Corporation, e foi aí que as criações de Engelbart, melhoradas, foram usadas para integrar o primeiro computador pessoal, o Altair.
Engelbart, contudo, foi trabalhar para a Tymshare, Inc., empresa que tinha adquirido o sistema de teleconferência que ele demonstrara em S. Francisco, em 1968, e aí ficou mesmo depois da companhia ser adquirida pela McDonnel Douglas Corporation, em 1989.
Entretanto, trabalhou para a Universidade de Stanford, onde dirigiu o Boostrap Project cujo objetivo era o de levar os fabricantes, vendedores e utilizadores de computadores a trabalharem juntos na tecnologia requerida pelo mundo em constante mudança que partilham.
Em 1990, fundou o Bootstrap Institute, em Palo Alto, na Califórnia, de que é ainda diretor.
Como referenciar: Douglas Engelbart in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-08-05 11:33:18]. Disponível na Internet: