duende

Ser sobrenatural, cuja origem remonta aos tempos pré-cristãos, muitas vezes associado a fantasmas de vivos mas também existindo como espírito da Natureza. Os duendes eram temidos pelo seu poder destrutivo quando zangados, mas também eram amados pelo facto de poderem ser excelentes aliados dos seres humanos. As antigas crenças sobre os duendes afirmavam que compensava muito conquistar-lhes os favores e a simpatia com ofertas. Devidamente aliciados, eram capazes de executarem as tarefas caseiras, cuidarem de crianças e animais e mesmo ajudar os artesãos nos seus trabalhos profissionais. Se estivessem devidamente motivados eram capazes de ajudar nos assuntos do amor mas, por outro lado, um duende irritado ou zangado poderia ser terrível e destruidor.
Os duendes eram espíritos pagãos que podiam ter diferentes formas e origens. Os duendes dos bosques eram pequeninos, alegres e laboriosos e talvez tivessem inspirado a figura dos sete anões da história de Branca de Neve. Os duendes das montanhas eram mais agrestes e difíceis, enquanto que os duendes das casas eram mais bonacheirões. Na Noruega acreditavam que os duendes tinham criado o Sol, podiam ser bonitos ou feios e viviam no país dos duendes, uma espécie de Terra das Fadas. Na Islândia, os duendes eram associados aos espíritos dos antepassados e curavam doenças se lhes fosse oferecido um banquete. Na tradição nórdica, os duendes podiam levar crianças de casa deixando no seu lugar uma criança-duende, participavam nas caçadas do deus Odin e muitos heróis míticos tinham sido seduzidos por mulheres-duende.
Em outras culturas existem variações da tradição dos duendes, como é o caso do dybbuk, da tradição hebraica, uma espécie de espírito de antepassados ou demónio que possuía o corpo das mulheres para reencarnar nos seus filhos. No Brasil, este espírito da natureza é o Saci, também chamado de Saci-Pererê, Kilaino, duende dos bacaeris, índios caraíbas de Mato Grosso Caipora ou Curupira. Este espírito da Natureza é representado por um negrinho de uma só perna que fuma cachimbo e usa um barrete vermelho que lhe dá os poderes milagrosos. Às vezes transforma-se numa lindíssima mulher ou em diferentes pássaros e assinala a sua presença por um assobio com o qual assombra os humanos e que ninguém consegue localizar. Persegue os cavalos durante a noite e depois entrança-lhes as crinas. Este espírito em vez de ajudar na casa é o responsável por uma série de tropelias que incluem a ocultação de objetos e o estrago de alimentos. Segundo a tradição, este espírito traquina paga muito ouro para reaver o seu barrete caso este lhe seja roubado pelos humanos. Para além destes, existe ainda no Brasil o Caruara, um duende invisível que habita as florestas da Amazónia e que pode fazer feitiços que afetam as mulheres, provocando-lhes dores no corpo. No flamengo andaluz, duende é uma espécie de "espírito" intuitivo e criador que se apodera do artista, na música, no baile e no canto, e o inspira à improvisação.

Como referenciar: duende in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-04-01 11:51:34]. Disponível na Internet: