Écloga Basto

A Écloga Basto, em redondilha menor, apresenta no início uma dedicatória a Nuno Álvares Pereira, irmão de António Pereira, Senhor de Basto.
Personagens: Gil e Bieito (pastores).
Argumento: No início, Basto apresenta dois pastores amigos cujo diálogo será narrado ao longo da écloga.
Gil, após ter sido corrido "à vara" da cidade, isola-se e torna-se pastor. Encarnando os valores da vida rural, esta personagem moralista defende as vantagens da vida em isolamento, afastado da cobiça que envenenava os homens. Bieito contrapõe o amigo, defendendo a indispensabilidade da vida em sociedade. Através de exemplos concretos, Bieito explica a Gil que o Homem deve viver em sociedade, visto que até os animais o fazem. Gil não se dá por vencido, argumentando que os animais "guardam leis naturais / nós outros não as guardamos".
Sá de Miranda mostra-nos assim os danos que resultam do afastamento entre o Homem e a Natureza. Através do diálogo entre duas personagens com posturas antagónicas face à vida, o autor aborda uma variedade de temas como a virtude, a serenidade, a sinceridade, a coerência, a independência económica, social e ideológica, a mudança moral e social contrapostas ao carácter permanente da Natureza, a maledicência, a venalidade e crueldade dos juízes, a tirania dos amos e a má distribuição da riqueza.
Bem ao jeito da poesia clássica que tinha como ideal a Idade do Ouro, Sá de Miranda critica fortemente o direito à propriedade, principal fonte de inquietação pessoal e opressão social.
Como referenciar: Porto Editora – Écloga Basto na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-20 09:24:49]. Disponível em