Edmund Leach

Antropólogo social inglês, Sir Edmund Leach nasceu em 1910, em Sidmouth-Devon, Inglaterra. Escolheu a antropologia social apenas aos 27 anos de idade. Aluno de B. Malinowski, na London School of Economics, no final dos anos trinta, publicaria em 1954 a sua obra mais importante, Political Systems of Highland Burma, após a realização de trabalho de campo entre os Kachin da Birmânia. Neste estudo, Leach desenvolve as bases de todo o seu pensamento social (iniciado com o estudo Social and Economical Organization of the Rowanduz Kurds, de 1940), ao questionar as noções mais ortodoxas do estrutural-funcionalismo como, por exemplo, o "equilíbrio social estrutural". Para o fazer, explora as estruturas políticas de povos cuja instabilidade das instituições flutua entre modelos igualitários e hierárquicos, mostrando a complexa interação entre modelos ideais e a ação política e social. Para Leach, o equilíbrio social é sempre precário e fugaz, interessando-lhe principalmente as normas e manipulação das regras sociais, sempre numa perspetiva histórica e utilizando o método de "estudo de caso". O ataque de Leach ao estrutural-funcionalismo continua com o livro Pul Eliya (1961), resultado do estudo de uma aldeia do Ceilão (hoje Sri Lanka). Nesta obra revolucionária e intelectualmente agressiva, Leach define a antropologia social como o estudo da forma como o "costume" constrange o comportamento individual.
Nos últimos anos da sua carreira, o seu interesse virou-se para o estruturalismo (numa formulação sempre muito própria), nomeadamente através da análise do mito o do ritual, como acontece em Genesis as Mith and Other Essays (1969), tendo como referência fundamental de estudo o contexto pragmático da ação política e social. Professor popular e apaixonado, homem simples, mas inquieto e controverso, Edmund Leach teve sempre um grande desejo de alargar o interesse pela Antropologia a um público mais vasto. Presidente do Royal Anthropological Institute, entre 1971 e 1975, armado Cavaleiro da Coroa Britânica em 1975, morreria vítima de um tumor cerebral, em 1989, em Cambridge.
Outras obras importantes: 1961, Rethinking Anthropology
1969, Genesis as Myth and Other Essays
1970, Levi-Strauss
1976, Culture and Communication
1982, Social Anthropology
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