Eduardo Serra

Diretor de fotografia português, Eduardo Serra nasceu a 2 de outubro de 1943, em Lisboa. Desde cedo interessado pelo cinema, era fã de cineclubes, especialmente ligado ao ABC até 1963, altura em que emigrou para França devido à perseguição de que foi alvo pela PIDE. Em França, entrou na Escola de Vaugirard, uma escola técnica que forma diretores de fotografia e engenheiros de som e, em 1974, trabalhou nas filmagens de 1789, um épico de Ariane Mnouchkine. Dois anos depois, integrou a equipa do filme de estreia como realizador de Jean-Jacques Annaud, o drama de guerra Noirs et Blancs en Coleur (Pretos e Brancos a Cores). Em 1976, estreou-se finalmente como diretor de fotografia na curta-metragem Les Derniers beaux jours e, quatro anos depois, colaborou em À Vendre, de Christian Drillaud, a sua primeira longa-metragem.
Em 1983, participou na comédia Debout les crabes, la mer monte! e, no mesmo ano, trabalhou no seu primeiro filme português: Sem Sombra de Pecado, de José Fonseca e Costa, com Victoria abril e Armando Cortez nos principais papéis. Seguiu-se nova colaboração com Christian Drillaud, em Itenéraire bis (1983). Em 1985, iniciou uma colaboração com o realizador francês Patrice Leconte, que se tornaria duradoura: Les Spécialistes (1985); Le Mari de la Coiffeuse (O Marido da Cabeleireira, 1990); Le Parfum d'Yvonne (1994); Tango (1993); Les Grands Ducs (1996); La Veuve de Saint-Pierre (2000); Rue dês Plaisirs (2002); e Confidences trops intimes (2004).
Em 1990, voltaria a trabalhar com um realizador português, desta vez João Mário Grilo, no filme O Processo do Rei e, em 1992, participou em Le Zebre (Marido Louco), de Jean Poiret. No ano seguinte, trabalhou com Luís Filipe Rocha em Amor e Dedinhos de Pé, com Joaquim de Almeida, e, logo depois, com Michel Blanc na comédia Grosse Fatigue (1994). Em 1996, colaborou com Michael Winterbottom em Jude e, no ano seguinte, em The Wings of the Dove (As Asas do Amor), de Iain Softley, baseado no romance de Henry James. Aqui, apresentou-se com uma excelente cinematografia cujo trabalho valeu a Serra a sua primeira nomeação para o Óscar de Melhor Fotografia, ganhando o BAFTA da mesma categoria. Seguiram-se Rien ne vas plus (1997), de Claude Chabrol, protagonizado por Isabelle Huppert, e What Dreams May Come (Para Além do Horizonte, 1998), de Vincent Ward, adaptação do romance de Richard Matheson, com Robin Williams no papel principal - um filme visualmente belo, com imagens que permanecem na retina do espectador na sua quase totalidade, passada no mundo dos mortos, em cenários irreais, levados à tela por efeitos especiais que não são meras execuções técnicas, mas verdadeira "arte".
Em 1999, voltou a colaborar com Chabrol no thriller Au Coeur du Mensonge e, no ano seguinte, com M. Night Shyamalan no seu thriller de suspense Unbreakable (O Protegido), com Bruce Willis no papel de um segurança de um estádio de futebol e Samuel L. Jackson no papel de um homem que nasceu com uma doença rara.
Em 2002, foi a vez de O Delfim, filme de Fernando Lopes, baseado no romance homónimo de José Cardoso Pires, com Alexandra Lencastre e Rogério Samora. No ano seguinte, colaborou pela terceira vez com Claude Chabrol no filme La Fleur du Mal, um thriller sobre três gerações de uma família e os seus conflitos. Ainda nesse ano, trabalhou em Girl with a Pearl Earring (Rapariga com Brinco de Pérola), de Peter Webber, um filme que, baseado no romance de Tracy Chevalier, passado no século XVII, nos fala sobre o pintor Johannes Vermeer que se apaixona pela sua criada, transformando-a na sua musa. Serra foi nomeado para o Óscar de Melhor Fotografia e para o BAFTA da mesma categoria.
Trabalhou depois com Kevin Spacey no seu filme Beyond the Sea (Bobby Darin - O Amor é Eterno, 2004), sobre a vida do cantor Bobby Darin e novamente com Chabrol no thriller La Demoiselle d'Honneur (2004).
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