Egito Copta-Bizantino

Depois do reinado de Teodósio (379-395), o Egito, que esteve na órbita romana desde o século I a. C., passa a pertencer ao império Bizantino, sob o qual permanecerá até à conquista árabe em 641-642. Durante este período o Egito conheceu uma rápida cristianização, com os mosteiros a tornarem-se centros nevrálgicos e dinamizadores num país então bastante depauperado e numa sombra pálida do esplendor de outros tempos. Com o monaquismo copto-bizantino, o Egito tornou-se num dos palcos de debate cristológico mais fecundo ao longo do século V, quando os cristãos egípcios enveredaram pela corrente monofisita (Cristo tinha uma só natureza, não duas, a divina e a humana), indo assim contra o concílio de Calcedónia (451), tendo por base a sólida escola filosófica e teológica de Alexandria. Afastava-se assim da corrente da Ortodoxia, definindo para sempre a igreja copta nas suas observâncias até à atualidade. A igreja copta egípcia, nascida desta fratura, ganhou assim uma conotação fortemente nacionalista.
Quando nos referimos ao Egito bizantino estamos a referirmo-nos essencialmente ao contexto de domínio político do território, o qual enforma aquilo que é o Egito copta, que reporta mais à natureza sócio-religiosa e civilizacional. O domínio político de Bizâncio sobre o Egito estimulou a implantação e consolidação do Cristianismo mas na perspetiva ortodoxa, enquanto observância das disposições conciliares, com as quais se confundia a ação do imperador enquanto "fiel em Cristo, imperador dos romanos". A queda do domínio bizantino prende-se com a decadência após o "século de ouro" de Justiniano (527-565), com o Egito a vulnerabilizar-se perante o exterior, nomeadamente a partir da Hégira muçulmana (632). Foi um dos períodos mais apagados da história do Egito, com uma crescente letargia das instituições e a perda de esplendor. Ricos latifundiários e mosteiros opulentos dominavam o Egito, com lutas entre cristãos e pagãos, perseguições ou até conflitos intestinos dentro da Cristandade. Desprotegido militarmente, foi assim fácil a incursão e dominação árabe do Egito bizantino, um território maioritariamente cristão.
O período copta-bizantino (ou cóptico-b.) é também conhecido por "cristão" ou simplesmente "bizantino". O termo cóptico aplica-se, como já se viu, não tanto à dimensão material do Egito mas principalmente à arte, arquitetura e principalmente à cultura e religião. Interrompido pela dominação islâmica, ressuscitou entre 700 e 1200, sempre alimentado pelos mosteiros que teimaram em sobreviver à islamização. A língua copta manteve-se, principalmente no plano litúrgico, apoiada num sistema de escrita que combina caracteres gregos com signos extraídos do antigo Demótico egípcio. Do período copta sobrevivem ainda hoje alguns mosteiros, como S. Antão (ou António), Sta. Catarina no Sinai ou S. Samuel. Os coptas do Egito serão os responsáveis pela cristianização da Núbia e mais tarde da Etiópia, criando-se heresias e cisões, de que aparecerão igrejas coptas cismáticas.
O termo "copta" deriva da designação que os árabes davam aos egípcios (kubt ou kobt), a partir da palavra grega para Egito ou para a sua língua (kyptaion). Passou com o tempo a designar os egípcios que se mantiveram cristãos sob o jugo muçulmano, como ainda hoje distinguimos.
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