enantiomorfismo

O enantiomorfismo, também designado por enantiomeria, consiste na existência, em moléculas e cristais, de duas formas, uma das quais é a imagem não sobreponível da outra num espelho plano. Os compostos enantiomórficos são oticamente ativos, isto é, uma das formas, que em tudo o resto tem propriedades físicas e químicas iguais à outra, faz rodar o plano de luz polarizada de um mesmo ângulo mas no sentido contrário à da outra forma.
Foi o químico francês Louis Pasteur, que nasceu em Dole a 27 de dezembro de 1822 e que faleceu em Paris a 28 de setembro de 1895, que lançou as bases da enantiomeria. Pasteur realizava uma experiência sobre os sais do ácido tartárico, quando notou qualquer coisa em que ninguém tinha reparado antes: o tartarato de sódio e amónio oticamente inativo apresentava-se como uma mistura de duas espécies diferentes de cristais, que eram a imagem uma da outra num espelho plano. Ainda que a mistura original fosse oticamente inativa, cada grupo de cristais dissolvido em água originava uma solução oticamente ativa. Além desse facto, as rotações específicas das duas soluções eram exatamente iguais, mas de sinal contrário. Ou seja, uma solução rodava o plano da luz para a direita e a outra rodava-o para a esquerda. Todas as outras propriedades das duas substâncias eram idênticas.
Pasteur enunciou então a hipótese de que as moléculas que constituíam os cristais eram imagem uma da outra num espelho plano. Isto correspondia a supor a existência de isómeros cujas estruturas diferiam uma da outra apenas no ser a imagem da outra num espelho plano, e cujas propriedades diferiam apenas no sentido de rotação do plano da luz polarizada.

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