Endividamento Externo na América Latina

Em meados dos anos 80, os países da América Latina debatiam-se com um grave problema que travava todas as possibilidades de atualização do sistema social e de desenvolvimento: a dívida externa, de aproximadamente 493 biliões de dólares. Em 1985 reuniram-se em assembleia alguns dos países hispano-americanos, na cidade de Havana, chegando à conclusão de que era totalmente impossível pagar esta dívida e a colocar a possibilidade de interromper o pagamento de salários. Este estado preocupou os países credores, assim como o Fundo Monetário Internacional. O endividamento da América Latina teve origem em fatores como uma sucessão de golpes de Estado e rebeliões que se sucederam ao longo do século XX, agravada a situação pela redução das relações comerciais entre estes países e a Europa durante a Primeira Grande Guerra, pela cisão do mundo em duas partes políticas e económicas após a Segunda Guerra Mundial (passando estes países a ter ainda menos peso a partir desta altura) e pelo monopólio comercial detido por uma série de grandes empresas norte-americanas (o que não permitiu o desenvolver empresarial autóctone e criou uma elevada dependência externa). O Brasil é o país com uma maior dívida externa, que ascende a cerca de 136 biliões de dólares, seguindo-se o México, com uma dívida de 125 biliões e a Argentina, com 68 biliões. Estas dívidas foram criadas por fatores como o investimento do capital internacional em países com novos mercados em alternativa aos da América Latina, como os asiáticos, e no investimento em países em vias de desenvolvimento. Agravou igualmente o facto de em 1979 os Estados Unidos terem aumentado as taxas de juro, ao valorizarem o dólar, tendo-se por conseguinte exacerbado a gravidade da dívida externa. Em meados dos anos 80 o Caribe e a América Latina tinham chegado a atingir um nível de produção comercial que permitia antever um futuro otimista em relação ao pagamento desta dívida, tendo contudo este pico decrescido rapidamente no espaço de poucos anos, desenvolvendo-se uma difícil situação económica, social e política.
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