ensaio

Termo de origem latina (exagìu- que significa «peso; pesagem») que designa uma composição literária breve, normalmente em prosa, na qual o ensaísta procura, num estilo claro e livre, desenvolver um raciocínio, uma ideia própria. O ensaio pode ser, entre outros, de natureza literária, filosófica, antropológica, sociológica e os assuntos abordados são principalmente sobre moralidade, ética, vida humana ou religião.
Apesar de certas obras de escritores latinos, como Cícero, Séneca ou Plutarco, Teofrasto, entre outros, terem algumas características próximas do ensaio, este modelo surge na obra Essais (1580, Os Ensaios) do francês Michel de Montaigne. Em Inglaterra, o termo aparece com o livro Essays (1597) de Francis Bacon. Estes dois escritores ilustram dois tipos distintos de ensaios: o tipo informal e o tipo formal. O primeiro apresenta um tom pessoal, íntimo, conversador e, muitas vezes, humorístico e foi cultivado por vários escritores como, por exemplo, Jonathan Swift, Charles Lamb, Mark Twain ou William Hazlitt. O ensaio formal é dogmático, impessoal, metódico e expositivo e foi explorado por diversos escritores como Joseph Addison, Samuel Johnson, Stuart Mill, Henry David Thoreau, entre outros.
Relativamente às características do ensaio, elas têm sido interpretadas e aplicadas de diversas formas, dando assim lugar a distintas teorizações. Segundo Sílvio Lima, autor de Ensaio sobre a Natureza do Ensaio (1944), pode identificar-se quatro características importantes nos Ensaios de Montaigne e no ensaio em geral: o auto-exercício do espírito; a autonomia mental; a vivência experimental e a universalidade; o juízo crítico. Dada as vertentes pessoalista ou impessoalista da prática ensaística, Sílvio Lima diferencia estas duas vertentes, a partir de duas fórmulas, "ensaio de" e "ensaio sobre", respetivamente.
Para Robert Scholes e Carl H. Klaus, o ensaio possuiu quatro tipos formais: o ensaio persuasivo, em que sobressai a analogia; o ensaio narrativo, que integra trama, personagens, narrador, espaço, tempo; o ensaio dramático, no qual o narrador é substituído pela "encenação"; o ensaio meditativo, valorizando a textura e não a estrutura do conteúdo.
Em Portugal, considera-se que a primeira obra mais próxima do modelo ensaístico é O Leal Conselheiro (século XV) do rei D. Duarte. No entanto, o ensaio surge, verdadeiramente em Portugal, na segunda metade do século XVIII, destacando-se de entre os mais ilustres ensaístas portugueses Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Fernando Pessoa, António Sérgio, Gastão Cruz.
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