enumeração

Figura de estilo que consiste na sequencialização de várias palavras, sintagmas ou orações e que tem como propósito uma intensificação do ritmo do discurso, ou uma acumulação de argumentos, sendo muitas vezes orientada para uma gradação. Designa-se por enumeração simples os casos em que os elementos postos em série pertencem à mesma categoria gramatical, como é demonstrado no exemplo seguinte de Camões:

"Ouvi: que não vereis com vãs façanhas
Fantásticas, fingidas, mentirosas, Louvar os vossos, (...)"
(Camões, Os Lusíadas, I, 11)

Dá-se o nome de enumeração recolectiva aos casos em que o último termo da série possui um significado comum e englobante em relação aos membros iniciais da série que não pareciam apresentar relação semântica aparente, como se pode verificar no seguinte excerto:

"O naturalismo; esses livros poderosos e vivazes, tirados a milhares de edições; essas rudes análises, apoderando-se da Igreja, da Realeza, da Burocracia, da Finança, de todas as coisas santas (...)"
(Eça de Queirós, Os Maias, (1988), Lisboa: Ed. Livros do Brasil, cap. VI, p. 162 )

Recebem o nome de enumeração caótica situações discursivas em que os termos da série não parecem suceder-se organizadamente nem com um movimento orientado, antes porém parecem estar dispostas ao acaso e visam um efeito de acumulação e intensificação. No exemplo que se segue, o efeito obtido é o do cómico pelo absurdo da enumeração:

"O Dantas fez uma Sóror Mariana que tanto podia ser como a Sóror Inês, ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre de Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!"
(Almada Negreiros, Manifesto Anti-Dantas, Lisboa, Edições Ática, p.6 - ortografia atualizada)
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