erosão

A erosão é um fenómeno que implica a remoção do material de um lugar para o outro, com intervenção de diversos agentes (agentes de erosão), razão pela qual a Terra vai lentamente modificando o seu aspeto.

Nem sempre é fácil compreender como a Terra, que aparentemente é tão firme e sólida, se altera em muitos aspetos. Sobre ela atuam a água, o vento, a neve, o ar húmido, a temperatura, os seres vivos, etc.

A erosão não atua continuamente sobre um primeiro e único relevo. Os agentes internos são construtivos, trabalham alternadamente com os agentes externos com tendência a estabelecer o equilíbrio. São os agentes internos que contribuem para a formação de novos relevos subjacentes aos perfis da superficie terrestre. É a fase de orogénese. A seguir, os agentes externos atuam com toda a energia, tendendo a nivelar os relevos. É a fase erosiva ou gliptogénese.

O material resultante da meteorização que se mantém desagregado no local de origem está sujeito a diversas forças. Umas são passivas ou protetoras, como a resistência das rochas aos agentes geológicos, cuja variabilidade depende dos componentes da rocha e do cimento que as liga. A altitude a que se encontra a rocha também é um fator que influencia a erosão, considerando-se o nível do mar como o ponto zero da erosão, isto é, o local onde esta se detém, não prosseguindo a partir desse nível.

Outras forças são ativas ou destrutivas. Entre estas considera-se a gravidade, que tende a fazer cair todos os corpos na direção do centro da Terra, a atração lunar, que provoca as marés e os deslocamentos periódicos das grandes massas de água, e a radiação solar, que é um conjunto muito variado de radiações luminosas, caloríficas, elétricas, magnéticas, corpusculares, etc. Estas são consideradas forças puras ou primárias.

A erosão tende a reduzir gradualmente as zonas salientes e a transformar a superfície em peneplanícies (ciclo de erosão). Os produtos de desagregação podem ficar no próprio lugar ou próximo dele, contribuindo para a formação do solo. Alguns são deslocados a maior ou menor distância. Podem ser transportados em suspensão ou em dissolução na água.

Conforme os agentes erosivos ou as condições particulares em que se efetua, a erosão assume aspetos diferentes:

Erosão eólica: se todos os produtos da meteorização ficassem sobre a rocha mãe, acabavam por formar uma camada protetora que, inclusivamente, protegeria a rocha de uma maior destruição. Mas o vento encarrega-se de levantar continuamente esses detritos (fenómeno de deflação), pelo que o processo erosivo não para. Além da sua função de transporte, o vento também causa erosão quando os detritos arrastados devido à deflação vão de encontro a outras rochas.

Tem o mesmo efeito que uma lima sobre qualquer material, cujo desgaste será proporcional à sua dureza. Esta erosão específica denomina-se corrosão, originando rochas alveolares e blocos pedunculados.

Se os detritos com a dimensão da areia são arrastados pelo vento, no solo ficam os sedimentos mais grosseiros, constituindo-se desta maneira os regs (desertos de pedra).

As argilas e areias arrastadas pelo vento dão origem a cristais e sulcos de 10 cm a 10 m de profundidade, constituindo as dunas. As dunas conservam o mesmo perfil transversal, mas a areia desloca-se continuamente, empurrada pelo vento. Estas dunas vivas ou móveis podem ser prejudiciais para os terrenos de cultura e para as povoações.

Erosão fluvial: também designada erosão normal, tem como agente principal as águas correntes (águas de arroiamento ou escorrência, em particular as águas selvagens que não correm em leito próprio), as torrentes, os ribeiros e os rios.
Quando chove, podemos admitir que cerca de um terço da água caída volta a evaporar-se, outro terço corre à superfície e o outro terço infiltra-se no terreno. A erosão das águas superficiais resulta das partículas que a água transporta e da inclinação dos terrenos sobre que desliza. Os detritos podem ser transportados em suspensão, rolamento pelo fundo e dissolução.

A erosão dos rios que traça o seu perfil varia com a inclinação, a natureza litológica do leito, o caudal, a velocidade de escoamento e as condições climatéricas. Se o perfil do curso de água é inclinado, verifica-se um aprofundamento do vale em V (erosão vertical em profundidade); se o perfil está próximo do nível de base, é a erosão lateral que predomina.

Erosão límnica: nos lagos pequenos, a erosão é muito pouco significativa. Nos lagos grandes, chamados mares interiores, as ondas atuam como nos mares.

Erosão cársica: existente principalmente nas regiões calcárias, é realizada pelas águas subterrâneas que se infiltram nas rochas permeáveis onde circulam. As rochas permeáveis mantêm a água até certa altura, formando o manto aquífero, cujo nível superior se denomina nível freático. As águas subterrâneas originam galerias e canais, grutas, cavernas, etc., em profundidade, enquanto que na superfície a erosão modela formas particulares muitas vezes ruiniformes, em que sobressaem os lapiases, covões, algares, poljes, dolinas, etc.

Erosão glaciária: é provocada pelo gelo dos glaciares quando se desloca lentamente em direção às regiões mais baixas. A ação erosiva é realizada pela massa de gelo em deslocação e pelos detritos transportados por essa massa gelada. A erosão glaciar origina a formação de vales em U (caleira glaciária), que nas zonas litorais constituem os fiordes.

Erosão marinha: a superfície dos oceanos é três vezes superior à das terras emersas, pelo que a sua ação erosiva é muito significativa no modelado das costas e no depósito de material transportado pelos rios. A erosão é realizada por ação das ondas e das marés, que desgastam a base das falésias, provocando um retrocesso dos alcantilados.
Como referenciar: Porto Editora – erosão na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-23 08:18:28]. Disponível em