Espacialismo

O "Spazialismo", termo que se pode traduzir por Espacialismo, pretende representar o movimento da vanguarda artística italiana, fundado em 1946 pelo pintor Lucio Fontana e por outros artistas italianos. Esta corrente estética procurava incluir na conceção da obra de arte, paralelamente aos materiais plásticos tradicionais como a forma, a cor e a matéria, elementos como o espaço, o tempo e o movimento.
Manifestando-se essencialmente no campo da pintura, a sua principal contribuição foi o alargamento do entendimento da tela e da sua superfície enquanto campo de representação que podia superar a bidimensionalidade e integrar parte do espaço real envolvente. O artista mais marcante deste movimento foi Lucio Fontana, nascido na Argentina, mas radicado em Itália. Desde 1949, Fontana produz uma série de telas que eram perfuradas ou cortadas, assumindo estes cortes o valor de signos que permitem relacionar diretamente o espaço real com o espaço pictórico. Os cortes ou perfurações, executados em quadros normalmente monocromos, representam vazios ou a ausência da imagem, criando um novo sentido na tela que contraria a tradicional conceção de superfície pictórica. Desta forma, o quadro ultrapassa as duas dimensões, absorvendo um espaço maior que se abre atrás dele.
Na obra de Fontana sobressai ainda o carácter gestual do processo criativo, revelado na energia e na determinação do gesto que produz o corte e que é acentuado pelo movimento da tela libertada da tensão a que estava sujeita.
Marcadamente cerebral e pouco sensitiva, a estética desenvolvida pelos pintores do Espacialismo abre caminho ao desenvolvimento da Arte Conceptual e da Arte Minimalista.
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