Estação de S. Bento

Do lado oriental da Praça de Almeida Garrett, em terreno íngreme onde outrora existira um convento de freiras da ordem de S. Bento, situa-se a estação de caminho de ferro de S. Bento, que serve o centro da cidade do Porto. Concebida pelo arquiteto Marques da Silva e alterada profundamente alguns anos mais tarde, a primeira pedra seria lançada em 1900, na presença do rei D. Carlos. A sua inauguração aconteceria passados quinze anos, no dia 1 de maio de 1915.
O sólido e grandioso vestíbulo granítico é todo revestido por sugestivos azulejos de temática histórica e etnográfica, predominando o azul sobre fundo branco, nos grandes painéis parietais, enquanto os frisos superiores apresentam policromia - com predomínio dos tons verde, castanho, amarelo e escarlate. A sua autoria deve-se ao ceramista Jorge Colaço. O amplo friso policromo apresenta, por ordem cronológica, os sucessivos meios de transporte usados pelo Homem até ao aparecimento do comboio. Por baixo deste destacam-se quatro composições historiadas: do lado norte observam-se os painéis referentes ao Torneio de Arcos de Valdevez e o Cumprimento da Palavra de Egas Moniz; no lado oposto, podem ver-se os episódios referentes à Entrada Solene de D. João I no Porto com D. Filipa de Lencastre e, mais abaixo, a Conquista de Ceuta.
Do lado da gare, na parede fronteira, foram colocados dois grandes quadros alusivos à Procissão de Nossa Senhora dos Remédios de Lamego, e outro sobre a Romaria de S. Torcato de Guimarães. Outros painéis de menores dimensões preenchem os vãos de cantaria, tendo como motivos episódios rurais e populares portugueses.
Em termos funcionais, a gare da Estação de S. Bento, com oito linhas cobertas por ampla estrutura envidraçada, recebe os comboios pelo túnel das Fontaínhas, repartido em três bocas, sendo a central a de maiores dimensões.
Como referenciar: Estação de S. Bento in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-26 10:56:02]. Disponível na Internet: