Estados Unidos da América em Expansão (1860-1920)

O período que medeia o fim da Guerra da Secessão e a Primeira Grande Guerra Mundial é crucial para o desenvolvimento dos Estados Unidos da América, quer interna quer externamente. O país rural, pouco urbanizado e fracamente industrializado, alterou-se profundamente em cerca de 40 anos, dando o salto em direção à industrialização, à extensão das áreas urbanas e à crescente influência sobre os países vizinhos, tornando-se numa potência capaz de ombrear com as do Velho Continente.
A nível industrial, o crescimento foi impressionante apesar das sequelas deixadas pela Guerra da Secessão. Tal desenvolvimento foi originado por um investimento na rede de vias férreas, chave essencial para a expansão do comércio a nível nacional, no qual regiões mais interiores participaram com os seus produtos, tornando-se mais fácil o transporte das matérias-primas descobertas (carvão, minérios, petróleo). A magnitude deste empreendimento esteve na origem de grandes firmas privadas como a da família Rockefeller, no ramo petrolífero ou a Carnegie da siderurgia. Este tipo de companhias, tal como o caminho de ferro, podiam empregar centenas de milhar de pessoas que deixavam a Europa e a Ásia em busca de melhores condições de vida. A população do país passou de 31 milhões em 1860 para 92 milhões em 1910, o que pôde só por si sustentar o incremento industrial. Este crescimento apoiou o desenvolvimento urbano mas despoletou problemas sociais, uma vez que os imigrantes provinham das mais diversas etnias e praticavam diferentes credos religiosos, para além de hábitos e tradições pouco conciliáveis por vezes. A discriminação e a xenofobia destacavam-se entre os problemas que os legisladores tinham de resolver, além dos problemas políticos preexistentes como o apaziguamento das relações entre republicanos do Norte e conservadores do Sul, progressivamente sanado pela entrada gradual dos democratas na vida política, que elegem o presidente Cleveland por duas vezes na década de 90. E, entre os problemas de fundo, eram particularmente visíveis os relacionados com a segregação racial do Sul, onde os Negros eram privados do direito de voto e eram obrigados a viver em locais separados dos brancos (legislação que se manteve até 1954, embora na prática, tenha chegado até aos anos 60).
A nível internacional, a política do país tornou-se mais agressiva com a intervenção militar na guerra entre Cuba e Espanha (1898), a anexação de Porto Rico, da Ilha Guam e das Filipinas, para além da anexação do Havai, tudo consequência da vitória dos EUA nesse conflito hispano-americano. Esta visibilidade no plano internacional está patente no papel diplomático do presidente Theodore Roosevelt (1901-1909) que mediará o conflito franco-alemão relativamente à posse de Tânger, em Marrocos; na importância adquirida na questão do Canal do Panamá ou nas intervenções na Nicarágua, no México ou no Haiti.
Assim, às portas do primeiro conflito bélico à escala mundial, os Estados Unidos da América estavam em posição de impor condições aos países europeus, jogando entre iguais, recusando inclusivamente, no fim da Primeira Guerra Mundial, a assinatura do Tratado de Versalhes.
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