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estereótipo
No âmbito das relações sociais e étnicas, um estereótipo é tido como uma generalização excessiva e indevida de um comportamento, uma atitude ou uma qualidade relativa a um determinado grupo étnico que tanto pode resultar numa avaliação positiva como numa avaliação negativa da questão em causa.
No entanto, a maior parte dos estereótipos encerra avaliações negativas, ainda que os objetivos sejam aparentemente positivos. É o que acontece, por exemplo, quando alguém diz que os negros são musicais ou que os judeus são solidários entre si. Tais afirmações podem trazer consigo a conotação de que, no 1.º caso, aqueles indivíduos serão pouco dotados para outros tipos de trabalho, e que, no 2.º exemplo, aquele povo segrega outras comunidades.
A fronteira entre estereótipo e realidade objetiva é ténue e, por vezes, difícil de estabelecer. No entanto, qualquer generalização excessiva relativa a um grupo étnico é considerada um estereótipo mesmo quando baseada em estudos científicos e estatísticas. Ou seja, o facto de uma grande parte de um grupo social ou étnico possuir uma característica específica, como, por exemplo, a violência, mesmo a ser verdade não implica que todos os membros daquele grupo tenham essa característica.
A relação entre estereótipo e preconceito é pertinente, na medida em que a formulação de muitos estereótipos reside na prévia existência de preconceitos e vice-versa. O preconceito, do grego prae (antes) e conceptu (conceito), traduz a apreensão de uma série de crenças e valores que são aplicados a determinadas realidades antes que essa realidade seja objetivamente vivida e avaliada por si mesma. Em termos sociais ou étnicos, o preconceito consiste numa ideia construída sobre o "outro" antes de o conhecer efetivamente e dispensando mesmo a necessidade dessa experiência, já que o conceito mental substitui a própria realidade. Tanto estereótipo como preconceito traduzem generalizações; a diferença é que enquanto o primeiro é uma realidade objetivamente apercebida e depois generalizada a outras realidades, o segundo é a "invenção" ou "ideia" de uma realidade subjetiva que é generalizada à totalidade da realidade objetiva, substituindo-a.
No entanto, nem todos os estereótipos são negativos ou funcionam como preconceitos. Na verdade, muitos estereótipos são necessários para as relações entre as pessoas, funcionando como guias de comportamento e códigos de comunicação. É o caso dos conceitos de idade, sexo, profissão, religião, classe social, etc., que ajudam, por um lado, a prever comportamentos e, por outro, ajudam ao estabelecimento de laços entre as pessoas.

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