estrangeirado

A designação de estrangeirados era atribuída, sobretudo no século XVIII, aos indivíduos que exaltavam tudo o que era estrangeiro em detrimento do que fosse nacional ou tradicionalista, aos «inovadores», partidários do classicismo francês, do Iluminismo, das ciências experimentais, do mercantilismo e das línguas vivas. Opunham-se aos estrangeirados os conservadores no saber e nos valores (entre eles a Companhia de Jesus, com toda a sua influência no ensino e em outros domínios da vida social), apoiados pela repressão severa e pela censura da Inquisição.
Personalidades como Francisco Ribeiro Sanches e Jacob de Castro Sarmento (judeus exilados), D. Luís da Cunha e Cunha Brochado (diplomatas), e ainda elementos da burguesia (de origem cristã-nova, brasileira ou mesmo estrangeira), reconheciam o atraso da estrutura social e cultural portuguesa em relação a outros países europeus, quer pelo hábito de tratarem problemas técnicos, quer pelas diversas viagens que faziam ao estrangeiro.
De uma maneira geral, os estrangeirados desta época eram homens que defendiam reformas moderadas das estruturas do País, interessados, sobretudo, na investigação científica, no progresso das técnicas e no problema do ensino. Tal era o caso de Pina e Proença, de Ribeiro Sanches e de Luís António Verney, cujo Verdadeiro Método de Estudar (1746) deu origem a uma polémica que se prolongou por duas décadas. Os estrangeirados também debatiam questões literárias, destacando-se Alexandre de Gusmão, Cândido Lusitano e o próprio Verney.
Os estrangeirados deram um contributo importante para as reformas pombalinas e para a fundação da Academia Real das Ciências de Lisboa (1779).
Entre os últimos estrangeirados do século XVIII, encontram-se Matias Aires, Bocage, José Anastácio da Cunha e Avelar Brotero.
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