Estremoz


Aspetos Geográficos
O concelho de Estremoz pertence ao distrito de Évora e ocupa uma área de 513,7 km2. Localiza-se no Alentejo e abrange 9 freguesias: Arcos, Glória, Estremoz (Santa Maria e Santo André), Évora Monte, Ameixial (Santa Vitória e São Bento), São Bento do Cortiço e Santo Estêvão, São Lourenço de Mamporcão e São Bento de Ana Loura, São Domingos de Ana Loura, e Veiros.
O concelho apresentava, em 2011, um total de 14 318 habitantes. O natural ou habitante de Estremoz denomina-se estremocense.

Encontra-se limitado a noroeste pelo concelho de Sousel (distrito de Portalegre), a oeste pelo de Arraiolos, a sul pelo de Évora e Redondo e a este pelo de Borba e a nordeste pelo de Monforte (distrito de Portalegre).

Possui um clima com uma influência marcadamente mediterrânica, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no verão. A precipitação ronda os 500 mm entre os meses de outubro e março e os 170 mm no semestre mais seco, sendo bastante irregular.

A sua morfologia caracteriza-se pela existência de planícies e de pequenas elevações, como, por exemplo: Cabeça Gorda (289 m), Freire Joaquim (264 m), Santana (322 m) e Outeiros Altos (347 m).

Como recursos hídricos, são de referir a ribeira das Vinhas, a ribeira do Vale da Guarda e a ribeira de Sousel.

História e Monumentos
Embora existam documentos históricos que comprovam a passagem dos Romanos por estas terras, sabe-se que estas constituíam, aquando da Reconquista, um povoado árabe, com pouca população.

Em 1211, foram doadas aos freires de Avis e receberam foral atribuído por D. Afonso III, em 1258. No século XIII, nestas terras, decorreram as negociações do noivado do rei D. Dinis com a futura rainha Santa Isabel, que viria a falecer nos paços deste concelho.

Aqui viveu também, por muito tempo, D. Pedro I até 1367, o ano da sua morte.

Em 1417, reuniram-se em Estremoz as cortes, celebradas após a Reconquista de Ceuta, para angariar fundos para a defesa da praça africana. Em 1512, recebeu um novo foral atribuído por D. Manuel I. A 17 de agosto de 1698, deu-se a explosão de um paiol de pólvora, que danificou várias habitações, que D. Afonso V mandou reconstruir.

No que se refere ao património histórico e monumental de Estremoz, destaca-se o Castelo de Évora Monte, do qual subsistem a cerca e portas dionisíacas. Salienta-se o Paço Fortificado, que marca a transição para a pirobalística e cuja torre foi edificada durante as obras de reconstrução do século XV.

São também de referir a Igreja de São Francisco, datada do século XIII, em estilo gótico, e as portas e baluartes da cidade, salientando-se as que foram objeto de classificação oficial autónoma: Porta de Santo António, Porta de Santa Catarina e as Portas de Currais e Évora.

A villa lusitano-romana de Santa Vitória do Ameixial constitui um elemento histórico muito antigo, sendo datada do século III ou IV, e pensa-se que terá sido uma sede de exploração agrícola na época. É de destacar parte do peristilo pertencente à residência do proprietário, um edifício termal e os pavimentos de mosaicos com motivos geométricos.

Tradições, Lendas e Curiosidades
Das manifestações populares e culturais do concelho são de destacar a FIAPE - Feira Internacional Agropecuária de Estremoz, a feira de artesanato, no mês de abril; a feira de S. Tiago, de 25 a 27 de julho; e as festas tradicionais, de junho a setembro.

O feriado municipal é na Quinta-Feira de Ascensão.

O artesanato é muito rico e variado, sendo de salientar os bonecos de Estremoz em barro (classificados como Património Cultural Imaterial pela UNESCO em dezembro de 2017), os bordados tradicionais, a olaria utilitária e decorativa, as peles e cabedais, as rendas, os trabalhos em buinho, em cabaças, em cana, em chifre, em cortiça, em madeira, em mármore, em palhinha e em vidro.

Como personalidades que ficaram para a História, são de referir Francisco Vítor Córdon (1851-1901), natural do concelho, que foi um explorador africano declarado benemérito da pátria, e Alfredo Cortez (1880-1946), um conhecido dramaturgo, também natural destas terras.

Como instalação cultural, destaca-se o Museu Municipal de Estremoz, que apresenta uma reconstituição da casa tradicional, bem como amostras do artesanato característico da região, distribuído por núcleos de cerâmica - barrística e olaria dos séculos XVIII e XIX -, cortiça, chifre e madeira, com destaque para mobiliário alentejano, pintado, do século passado. Outros núcleos a destacar: arqueologia romana e medieval, azulejaria e arte sacra.

Num dos pátios do museu funciona uma oficina onde se pode observar o labor artesanal de dois oleiros, criando figuras de barro tradicionais de Estremoz.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, seguidas pelas do secundário, com as indústrias alimentar e extrativa de mármore, e, depois, pelas do primário, setor que mantém um significado relevante.

No que se refere à agricultura, destacam-se os cultivos de cereais para grão, prados temporários e culturas forrageiras, vinha, pousio, olival, prados e pastagens permanentes. A pecuária assume também uma relativa importância, nomeadamente na criação de aves, ovinos e suínos.

Grande parte do seu território está coberto de floresta, sendo as principais espécies arbóreas a oliveira, o sobreiro e a azinheira.
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