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ética
Embora em linguagem comum não se distinga do conceito de "moral", a ética é, em rigor, a reflexão filosófica sobre a moral. Os objetos da ética são, portanto, as questões fundamentais relativamente à conduta do ser humano, ou seja, aos valores e princípios que o ser humano deve escolher de modo a dar uma orientação definida ao seu comportamento relativamente a si próprio e à sua relação com os outros e com a natureza em geral.
A ética é uma das disciplinas filosóficas, que envolve, contudo, uma área muito vasta de outros saberes (da teologia à antropologia, da história à sociologia).
Nos tempos mais remotos da história humana encontram-se vestígios suficientes para afirmar que a preocupação ética era enorme, o que exigiria uma reformulação da imagem que se tem em geral acerca dos tempos mais antigos. Quando confrontados com determinadas éticas do passado (por exemplo nos Vedas - conjunto de livros sagrados da Índia -, em 1500 a. C.) os pensadores são obrigados a reconhecer que havia uma grandeza que só de longe a longe voltou a ser atingida e que, sem comparação possível, não existe desde o século XVIII, pois tem faltado uma doutrinação coerente e metafísica que dê unidade às diferentes formulações empíricas das éticas relativistas ou do consenso que irromperam no século XX.
Nos tempos passados a ética era fruto de uma revelação da divindade aos homens, como muito bem tipificam os mandamentos dados a Moisés por Deus (Iavé). Diferentes éticas foram sendo propostas aos homens através dos diferentes fundadores dos movimentos religiosos: no glorioso século VI a.C. aparecem, em diferentes lugares, Buda na Índia, Lao-Tsé e de seguida Confúcio na China, Pitágoras na Grécia; depois aparece Cristo e Maomé.
A ética foi sempre uma dimensão da vivência religiosa e só muito recentemente se tornou laica e agnóstica, influenciada pelo marxismo, pelo positivismo e por uma apressada interpretação da nietzschiana "morte de Deus". A ética perdeu então o seu fundamento e viu-se sem saber para onde se orientar, caindo num relativismo de que o século XX, com todas as suas cruéis contradições, é um bom exemplo. Surgiram novas dimensões da ética, como a ética ambiental ou a bioética, mas não estão ainda munidas de uma doutrina sólida que lhes sirva de fundamento e unidade. A tendência central da ética desde meados do século XX é a do consenso, mas pelo consenso nem sempre se chega ao bom-senso.
Parece ser comum a todos os seres humanos a necessidade de dar uma orientação coerente ao seu comportamento e de eleger um ou mais valores que lhe sirvam como guia em todas as situações que a vida lhes imponha, por isso é também comum a todos a necessidade de encontrar uma ética coerente e que responda às suas exigências mais profundas, uma vez que a opção, perante uma determinada situação, por um comportamento e não por outro não pode ser tomada levemente e exige o compromisso de todas as dimensões do ser humano.
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