etnometodologia

Partindo de uma posição crítica à sociologia dominante, que Harold Garfinkel acusava de impor abusivamente as suas categorias às pessoas comuns, a etnometodologia teve em conta as próprias explicações dadas pelos indivíduos para os seus atos em sociedade. O objetivo desta corrente sociológica, proeminente nos anos setenta, é investigar como é que os membros da sociedade constroem o seu mundo. Nas interações quotidianas os atores sociais tomam como certas premissas não provadas e é isso que permite o desenrolar da vida social. Há, pois, uma assunção de sentidos que constitui um saber comum imanente às práticas sociais.
Esse senso comum possui três propriedades: a "reflexibilidade" diz respeito ao discurso sobre a ação. O ator social é capaz de descrever e justificar as suas ações, pelo que ao sociólogo basta transpor esses saber original. A "descritibilidade" diz respeito à continuidade entre a ação e o discurso sobre a ação, o que torna as práticas inteligíveis, visíveis e racionais. A "indexificação" resulta da indexação da linguagem a uma situação ou a um indivíduo concreto, sem a qual não seria inteligível. Tanto a linguagem como as práticas sociais necessitam de ser reportadas ao real sob pena de ficarem indeterminadas.

Parte da investigação etnometodológica dedicou-se à análise da conversação, sendo Harvey Sacks o melhor representante desta vertente. As críticas posteriormente formuladas contra a etnometodologia acusam-na de lidar com assuntos triviais, de apresentar a vida quotidiana como excessivamente ordenada e de eliminar a noção de estrutura social esquecendo assim que os fatores macrossociais constrangem as práticas dos indivíduos.
Como referenciar: etnometodologia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-22 04:01:40]. Disponível na Internet: