Evolução dos Media (3.º quartel do séc. XX)

Nos anos 50 do século XX o rádio começou a tornar-se um aparelho normal em todas as casas, além de começar a ser inserido nos automóveis (já com produção em série) e o reduzido tamanho que ia atingindo e incorporação de recetores em miniatura permitir a sua colocação em qualquer lugar. A partir dos anos 70 foi a televisão que se começou a massificar e propagar, a par da indústria cinematográfica. Em 1961 nascia a sitcom americana I Love Lucy, que inovou pelo conteúdo e forma cómica de abordagem da vida de um casal, tendo-se o modelo tornado um êxito que ultrapassou fronteiras. Também em 1956 a transmissão nos EUA, adaptado à televisão (como aconteceu com inúmeros programas nesta altura), do programa radiofónico O Feiticeiro de Oz conheceu uma aceitação generalizada que ultrapassou todas as expectativas. Os anúncios, contudo, tinham-se tornado campeões da televisão, açambarcando grande parte da transmissão e estendendo-se cada vez mais o tempo de transmissão dos mesmos (em 1964 surgiu mesmo em Nova Iorque uma cadeia que só emitia anúncios, a WOR-TV). O facto de se terem transmitido uma elevada quantidade de reclames relativos a comida (sobretudo guloseimas) entre os programas infantis despoletou nos anos 70 o flagelo da obesidade, que se torna cada vez mais grave com a passagem do tempo.
Em 1959 e durante as décadas de 60 e 70 a série Bonanza foi campeã de audiências em muitos países durante os catorze anos da sua transmissão. A televisão foi também um meio de mitigar o racismo nos conturbados anos 60, tendo transmitido o discurso I have a dream de Martin Luther King, a 28 de agosto de 1963, e exibido anúncios em que apareciam pessoas negras e brancas, além de ser um valioso meio de difusão das campanhas eleitorais e de acontecimentos marcantes como o assassinato do presidente Kennedy, de Martin Luther King e a chegada de Neil Armstrong à Lua (20/7/1963). Neste mesmo ano, nos EUA, uma sondagem indicou que a imprensa escrita perdia credibilidade, perante os recetores, face à informação televisiva. No final dos anos 70 já era comum a televisão a cores na maior parte dos lares, iniciando-se também a transmissão única de desporto por uma só estação televisiva norte-americana (ESPN), o mesmo acontecendo com a música em 1980 (MTV). Em 1987 estreou-se a publicidade explícita de roupa interior feminina, por mão da Playtex International, com modelos a usar soutiens.
O cinema conheceu depois da Primeira Guerra Mundial o início da sua ascensão, tornando-se uma poderosa arma para a formação de opiniões, de formas de conduta e de vida, sempre com a atração da diversão. Paralelamente, davam-se avanços na investigação da eletrónica e da informática. O surgir da estereofonia em 1961 e do "dolby", seis anos depois, fez com que o rádio continuasse a ser um meio de comunicação bastante utilizado (sobretudo para transmissão de notícias e comunicados), uma vez que o surgimento da televisão, que aliava a imagem ao som, tinha obscurecido o impacto inicial da rádio. Foi também nesta época que apareceu a figura do "disc jockey", que orienta os programas e seleciona pessoalmente a música. No que diz respeito à imprensa, o erguer da rádio e da televisão fez com que, em meados dos anos 60, fossem efetuadas remodelações para fazer face à concorrência. Assim, iniciou-se a aposição de revistas e suplementos aos jornais e fazer reportagens sobre temas da atualidade nas edições de fim de semana. Desenvolve-se igualmente o "Novo Jornalismo", a partir das questões de opinião com contributo de personagens relevantes, que elevou jornalistas como Tom Wolfe e Truman Capote a uma condição literária.
A Internet (então chamada Arpanet), por seu lado, surgiu em 1969 com a iniciativa que o Pentágono tomou de criar uma rede de partilha de informação entre quatro universidades norte-americanas, as de Utah, o Stanford Research Institute, a da Califórnia de Santa Bárbara e a da Califórnia de Los Angeles, tendo um tal sucesso que se estima que o número de utilizadores tenha dobrado a cada ano que passou desde a inauguração. O mesmo sucesso teve o servidor WWW, que apareceu em 1993, contribuindo assim a Internet para a educação (ensino à distância), o comércio à distância, comunicação direta e por email, criação de comunidades virtuais e para a globalização.
Em Portugal, a partir do golpe de Estado do dia 25 de abril de 1974 deu-se uma radical transformação do papel desempenhado pelos meios de comunicação. Enquanto que durante o regime salazarista era exercido um controlo estrito através de censura e sanções, tendo contudo afrouxado durante o governo de Marcello Caetano, esta crítica foi banida em 1974. Contudo, a liberdade de expressão possuía o reverso da moeda: a feição socialista de jornais, como o República, e cristã, como a Rádio Renascença, levou à sua eliminação, sendo considerados potencialmente perigosos. Até aos anos 90 do século XX havia jornais do governo, detidos por via indireta, pois foram adquiridos com a nacionalização dos bancos (praticamente cada banco possuía um ou mais jornais), passando após esta data a existir a imprensa livre e a ser impressos diariamente em Portugal cerca de trinta jornais. O mesmo aconteceu com a transmissão via rádio, com centenas de estações, e televisão, com canais estatais e privados. A produção cinematográfica portuguesa, em pequena escala, foi quase sempre vocacionada para o mercado nacional, apesar de, com a passagem do tempo, alguns realizadores como Manoel de Oliveira terem conseguido ver as suas obras reconhecidas no âmbito internacional. No que se refere à publicação de livros, houve um notável crescimento com a passagem dos anos, refletindo o mercado a época vivida. Assim, tiveram grande popularidade as obras de escritores de esquerda, como Lenine e Marx, nos anos 70 do século XX. Com cerca de sessenta editoras, publicam-se sobretudo obras traduzidas, apesar de também haver grande número de publicações de autores portugueses.
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