Expansões no Mundo Antigo

Em analogia ao avanço de Roma no mundo ocidental, em território europeu e mediterrânico, noutros pontos do globo assistiu-se à expansão de povos animados pelo desejo de conquista ou procura de novas terras e reservas alimentares e minerais. Estamos perante um período de mudanças políticas, culturais e económicas, devido às trocas civilizacionais, que a expansão dos povos deu origem, a nível planetário.
Um dos casos mais paradigmáticos é o do Império Chinês, ou Estado Quin, cuja organização legislativa data de cerca de 270-265 a. C. A grande expansão foi levada a cabo por Shih Huang-ti (que significa "Primeiro Augusto Senhor"), que conseguiu reunir sob as suas ordens diversos principados feudais em declínio. A sua ação pautou-se pelo autoritarismo e pela organização administrativa do império, protegido dos ataques nómadas (os bárbaros Hiong-Nu ou tribos Mongóis) pela Grande Muralha. Após a sua morte, em 206 a. C., o império foi entregue a Lieu Pang, que fundou a dinastia Hang, que se conservou até 220 d. C., mantendo um poder semelhante ao dos romanos a ocidente. Durante o século I da nossa era, a expansão chinesa atingiu o Turquestão sob o comando do general Pan Chao. Daqui estabeleceram-se ligações com a Índia e o mundo romano, abrindo-se a Rota da Seda.
Outro dos grandes impérios, embora sem estas dimensões, foi o Persa, sob a dinastia dos Arsácidas. Esta dinastia é imposta pela tribo dos Partos, da zona oriental do império, que se revoltou contra o poder dos Selêucidas, que se haviam integrado no império helenístico, sob proteção de Alexandre, o Grande. A sua força aumentou com a chegada dos romanos, ocupando o Irão, a Babilónia e fixando a sua capital em Ctesifonte. O Império Arsácida conseguiu reconstruir um novo Império Persa, herdeiro dos Aqueménidas do século V a. C., controlando vias de comunicação com a Índia e o Extremo Oriente. Embora os Romanos tentassem destruí-lo, este Estado persa não foi subjugado, sendo o rio Eufrates, limite desse império, uma barreira ao avanço romano para oriente, que só Trajano conseguiu ameaçar efetivamente.
Ainda que em menor escala, outros povos formaram impérios ou ameaçaram regiões já organizadas, como foi o caso dos povos germânicos. Oriundos da Escandinávia, provavelmente fugidos de um acentuado arrefecimento climatérico, avançaram em direção ao sul, expulsando os Celtas da região que hoje é a Alemanha e da costa do mar do Norte. No século III a. C., é possível identificar vários povos germânicos, como os Suevos, sediados na margem direita do Reno, ou os Bastarnas, que ocupam as montanhas da Boémia (hoje, República Checa). Eram povos que se dedicavam à pastorícia, muito embora estivessem em processo de abandono do nomadismo, procedendo já ao cultivo de cereais. A sua organização tinha por base a unidade familiar, que incluía criados e militares ao seu serviço, não se agrupando em aldeias ou cidades. Foram apelidados pelos Romanos de germanos, definição que incluía todos os povos além-Reno. De facto, dos conflitos que empreenderam com os Romanos resultou o estabelecimento da fronteira do Império de Roma ao longo desse rio do Centro da Europa, o Limes, onde foi erguido um importante sistema fortificado.
No continente africano, há a referir a expansão dos Bantos para sul e para leste do continente e a formação do reino da Etiópia. A sua instauração ficou a dever-se muito provavelmente a uma emigração de povos do Sul da Arábia, que levaram consigo a influência do Judaísmo e da cultura helénica. Fixaram a sua capital em Axum e o porto de Adulis deu-lhes a oportunidade de desempenhar um papel ativo no importante comércio do mar Vermelho, que ligava o Índico e o Mediterrâneo, enfim, a Ásia e a Europa, por mar.
Entretanto a oriente, no extremo asiático, florescia em idêntico período a civilização Yayoi em território japonês e o reino de Nam-Viêt (futuro Vietname), conquistado depois pelo imperador Wu-Ti e absorvido pelo grande Império Chinês. A Malásia também foi colonizada durante este período por povos mongóis, recebendo em seguida a influência de Chineses, Indianos e Árabes. Estes mesmos povos continuaram a sua expansão pela Indonésia, pelas filipinas e outros arquipélagos da Oceânia.
No continente americano, deu-se a expansão do povo asteca, que marcará a sua presença na região mexicana através do brilhante legado civilizacional.
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