Fallingwater

Em 1934 o milionário de Pittsburgh Edgar J. Kaufmann decide construir uma nova casa de campo, localizada junto a uma cascata numa ravina na Pennsylvania, conhecida por Bear Run, em substituição duma antiga cottage. Para a escolha do arquiteto teria sido determinante a influência do seu filho que fora estudante de Frank Lloyd Wright.
O projeto, realizado aparentemente num único dia procurou implantar a casa sobre a cascata, encontrando apoio nos rochedos sobre os quais o proprietário costumava apanhar sol.
A casa, construída em betão, é formada por terraços em consola de grande desenvolvimento horizontal e por uma torre em pedra que inclui a lareira e forma o centro compositivo da casa. Os vários terraços formam um conjunto de volumes suspensos no espaço, contrariando a densidade da vegetação envolvente. Ligam-se à escarpa através de tirantes que fixam nas rochas e das vigas que definem em simultâneo as guardas dos terraços.
Quase todas as paredes são em vidro à exceção dos núcleos portantes, revestidos por pedra rude e pequena que contrasta com o acabamento liso e suavemente arredondado dos balcões cor de pêssego. A intenção inicial do arquiteto de recobrir os terraços com folha de ouro foi impedido pelo cliente.
O interior da habitação desenvolve-se em torno da sala de estar central que apresenta várias expansões e evoca o ambiente de uma gruta pela presença, no pavimento, dos afloramentos rochosos.
Após a conclusão da casa, os Kaufmann decidiram fazer uma casa de hóspedes, localizada mais acima no penhasco. Esta construção ligava-se à casa principal através de um pórtico curvo que assentava suavemente no terreno em pendente.
A imagem simples e extremamente unitária do edifício esconde a profundidade das opções conceptuais e construtivas presentes. Representa o culminar do ideal wrightiano da casa integrada na natureza, respondendo à vontade de uma arquitetura que exprimisse vitalidade e fusão de estrutura, função, espaço e imagem por inspiração nas formas naturais. De facto, os muros em pedra, as lajes suspensas e a escada que da sala conduz junto à superfície do curso de água procuram a comunhão e a aproximação entre construção e terreno e, logo, entre o espaço humano e a natureza. Este conjunto de características transforma o edifício no paradigma da arquitetura orgânica de que Wright foi o expoente máximo.
Como referenciar: Porto Editora – Fallingwater na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-22 21:44:05]. Disponível em