fantasmas

As histórias de fantasmas, reais ou supostas, fizeram sempre parte da literatura fantástica, de terror ou policial e desta passou para o cinema. Entre alguns dos autores mais conhecidos do género contam-se Arthur Conan Doyle, Daphne du Maurier, Edgar Allan Poe ou Charles Dickens. Em The Hound of the Baskervilles (O Cão dos Baskervilles, 1959), adaptação da célebre novela de Conan Doyle, o falso fantasma de um mastim sobrenatural e vingativo esconde uma mente real e criminosa. Em Phantom of the Rue Morgue (O Fantasma da Rua Morgue, 1954), de Roy del Ruth, uma adaptação do conto de Edgar Allan Poe, o fantasma aterrorizador é apenas um enorme gorila. A adaptação de uma novela de Daphne du Maurier, Rebeca (1940), de Alfred Hitchcock, com Lawrence Olivier e Joan Fontaine, é o tema do falso fantasma da primeira mulher que volta para ameaçar a felicidade de um segundo casamento. Clássico inúmeras vezes adaptado ao cinema, Um Conto de Natal, de Charles Dickens, é uma novela que conta a história do velho avarento Scrooge que, na véspera de Natal, se depara com os fantasmas dos Natais passado, presente e futuro que mudam a sua vida. As casas assombradas por fantasmas constituem um enredo clássico que aparece em Ghosts (1915), de John Emerson e George Nichols, baseado numa peça de Ibsen, El Fantasma de la Casa Roja (1956), de Miguel M. Delgado, 13 Ghosts (1960), de William Castle, Ghost (1997), de Stan Winston, com Michael Jackson, Thir13en Ghosts (2001), de Steve Beck, entre inúmeros outros exemplos. O tema dos fantasmas está ligado à temática do amor que sobrevive à morte. Dentro deste âmbito, o filme mais genial é, sem dúvida, Vertigo (A Mulher Que Viveu Duas Vezes, 1958), de Alfred Hitchcock, baseado na novela Sueurs Froides de Boileau Narcejac, em que o enredo se desenvolve em torno da ideia de uma suposta reencarnação. A dupla personalidade ou a reencarnação estão também patentes em Portrait of Jennie (O Retrato de Jennie, 1948), de William Dieterle. Em Peter Ibbetson (Sonho Eterno, 1935), de Henry Hathaway, uma adaptação de uma novela de George du Maurier, é o amor louco a absorver a ação, um tema caro a surrealistas como Luís Buñuel, que o exprimiu no seu Abismos de Pasión (Abismos de Paixão, 1955), uma adaptação do Monte dos Vendavais de Emily Brontë. O regresso do além é o tema do filme de Otto Preminger, Laura (1944), enquanto que a entrada no além marca o universo de Orpheu (1950), de Jean Cocteau. O amor desesperado por um fantasma domina o filme Ugetsu Monogatari (Os Contos da Lua Vaga, 1953), de Kenji Mizoguchi, enquanto que em Ghost (Ghost, O Espírito do Amor, 1990), de Jerry Zucker, com Patrick Swayze e Demi Moore, um homem mantém-se na terra como fantasma para ficar junto da mulher que ama. O mesmo se passa com City of Angels (Cidade dos Anjos, 1998), de Brad Silberling, com Meg Ryan e Nicolas Cage, embora aqui já não seja um fantasma mas sim o anjo Seth que se apaixona e decide vir à terra como humano para viver o seu amor. Em Der Himmel über Berlin (As Asas do Desejo, 1987), de Wim Wenders, os anjos passeiam-se pelas ruas de Berlim e descobrem o amor e a vontade de ser humanos. O Fantasma da Ópera, baseado na novela de Gaston Leroux, desmascara um fantasma que não é mais do que um compositor fracassado de rosto deformado por um incêndio que vive na sombra e se apaixona por uma bela mulher. O Fantasma da Ópera teve a sua primeira versão no cinema mudo em 1925, realizado por Rupert Julian, e veria o tema repetido por várias décadas como, por exemplo, em 1962, por Terence Fisher, em 1974, por Mel Brooks e, em 2004, por Joel Schumacher. Em Phantom of the Paradise (O Fantasma do Paraíso, 1974), de Brian de Palma, o tema é recuperado agora em ambiente rock de comédia. Os fantasmas são também alguns dos obstáculos com que muitas personagens de filmes cómicos têm de lidar como é o caso de Jerry Lewis, Bob Hope, Dean Martin ou Abbot & Costello. Numa adaptação de uma conhecida obra teatral de Enrique Jardiel Poncella, Los Habitantes de la Casa Deshabitada (1946), de Gonzalo Delgrás, o cómico convive com cenas do mais puro terror. No drama de Giulietta degli Spiriti (Julieta dos Espíritos, 1965), Federico Fellini desvela o universo de sonho e misticismo que faz a força de uma mulher enganada pelo seu marido. Em The Sixth Sense (O Sexto Sentido, 1999), de M. Night Shyamalan, com Bruce Willis, um rapaz consegue comunicar com espíritos que não sabem que estão mortos. Em Ghosts of Mars (Fantasmas de Marte, 2001), de John Carpenter, a polícia marciana no decurso do transporte de um perigoso criminoso descobre que os trabalhadores da cidade mineira de Chryse estão possuídos pelos fantasmas dos habitantes antigos do planeta. Os fantasmas fazem também parte do mundo de feiticeiros dos filmes de Harry Potter, baseados na obra de J. K. Rowling, a provar que a temática está viva e faz parte do maior sucesso literário de finais do século XX e princípios do século XXI.
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