Fatímidas

Fatímidas, ou Fatimitas, é uma das designações dadas aos Xiitas ismaelitas, advindo o nome do facto de atribuírem a sucessão legítima de Maomé a Ali, casado com Fátima, filha do Profeta, e portanto seu genro (além de já ser primo de Maomé).
Dois dos filhos de Fátima e Ali criaram uma outra cisão, sendo os partidários de Husain os Husainis (entre os quais se encontravam os Fatímidas) e os de Hasan os Hasanis (seguidos pelos Idrisis de Marrocos). Os Husainis, entre os quais os Fatímidas, conheceram uma rutura cismática a partir da data da morte de Ya'far al-Sadiq (c. 80-148/701-705), bisneto de Husain e sexto imã. A questão sucessória criou duas fações: a dos Duodecimanos ou Imanis e a dos Septimanos ou Ismaelitas. Estes últimos afirmavam que tinha sido indicado pelo sexto imã o seu filho Ismael, para que lhe sucedesse, marcando o início da ocultação a morte de Ismael e o fim a ascensão dos Fatímidas ao poder no Magrebe. Os Imanis acreditavam, por sua vez, que Ya'far tinha designado para o suceder o seu filho Musa. Este e os seus descendentes foram imãs até ao ano de 874 (260 da Hégira), data do décimo segundo imã e altura em que se iniciou a ocultação. Os imãs Imanis que sucederam a Ya'far foram: Musa al Kazim (765-799), Ali al-Rida (799-818), Muhammad al-Yawad (818-835), Ali al-Hadi (835-868), Hassan al-Askari (868-874) e Muhammad al-Mahdi (874-878, com parte do imanado oculto); os Ismaelitas foram Ismael e Muhammad (762-765, em ocultação).
As regiões que ao longo da História tiveram mais influência fatímida foram as magrebinas de Djerid (antiga província de Qastiliya), Kairouan e o Alto Atlas de Marrocos (comunidade dos Baylis). Devido à eficaz ação de um missionário chamado Abu Abd Allah al-San'ani, cognominado de al-Da'i (precisamente, "o missionário"), os Fatímidas foram ganhando cada vez mais influência no Magrebe e, em 909, conseguiram atingir o poder, derrubando os Aglabis. A partir de então, a política fatímida magrebina seria caracterizada pela ambição expansionista para terras do Ocidente e do Oriente, e os maiores opositores aos califas fatímidas foram os Omíadas de al-Andalus e os Zanata. Em 969, o califa al-Mu'izz conquistou o Egito e a capital fatímida transferiu-se para a recém criada cidade do Cairo, chegando os territórios sob o domínio fatímida a abranger Meca, Medina e partes da Palestina e da Síria. Iniciou-se então o califado fatímida, do qual fizeram parte doze califas: Ubayd Allah (909-934), al-Qa'im (934-946), al-Mansur (946-953), al-Mu'izz (953-975), al-Aziz (975-996), al-Hakim (996-1021), al-Zahir (1021-1036), al-Mustansir (1036-1094), al-Musta'li (1094-1101), al-Amir (1101-1130), al-Hafiz (1130-1149), al-Zafir (1149-1154), al-Fa'iz (1154-1160) e al-Adid (1160-1171). O império fatímida era governado administrativamente por um vizir, que não tinha de ser obrigatoriamente muçulmano. O último destes vizires que ocupou o cargo sob o mando de um califa foi Saladino, que ocupou o poder após o desaparecimento do último califa fatímida em 1171.
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