feitiçaria

As artes da feitiçaria, incluídas nas esotéricas, remontam a tempos imemoriais, sendo os bruxos e feiticeiros arquétipos de grande importância em praticamente todas as civilizações e culturas mundiais. A magia é tradicionalmente dividida em "branca" e "negra", sendo costume incluir a feitiçaria nesta última (apesar de esta divisão nem sempre ser linear, como adiante se verá). De aí que os feiticeiros sejam enigmáticos, operem na obscuridade, e por estas razões lhes tenham sido atribuídos muitos males e catástrofes ocorridos ao longo da História. Ao serem antissociais, tornaram-se naturalmente os elementos mais indicados para arcarem com a culpa de calamidades da Natureza, doenças, mortes, epidemias, males morais e afins. Os feiticeiros socorriam-se de um conjunto de sortilégios, técnicas e instrumentos para manipular a energia psíquica do Homem e as manifestações da Natureza, sendo este poder, que os seres humanos normalmente não possuem, o que os tornava tão temidos. A tradição tornou inesquecíveis figuras relevantes em culturas como a grega, em que a beleza mascarava os dons de feitiçaria que possuíam Medeia, Melissa, Alcina e Circe, por exemplo. A deusa Hécate era, na Grécia, a protetora das feiticeiras, uma vez que simbolizava o percurso para além da morte. As bruxas ou feiticeiras podiam ser boas ou más, como transparece nos romances da Idade Média, em que os cavaleiros e heróis das histórias eram protegidos por mulheres misteriosas (como Morgana e Melusina, por exemplo) que derrubavam os obstáculos que para um mero mortal eram intransponíveis.
Os feitiços mais comuns e mais encomendados aos feiticeiros eram os de amor e os de malefício, sendo que os feiticeiros conheciam uma quantidade muito maior de sortilégios que usavam também em seu benefício. São bastantes as representações dos atos de magia, em que aparecem o círculo mágico onde se desenrola a ação, os símbolos arcanos, os recipientes com venenos e poções, fórmulas mágicas e gestos rituais, assim como objetos, plantas e animais simbólicos.
No âmbito da feitiçaria, encontra-se também a invocação de espíritos de pessoas já falecidas, como acontece no episódio da Bíblia em que o rei Saúl ordena à bruxa de Endor que convoque a alma do profeta Samuel para saber como decorreria a batalha que iria travar contra os Filisteus.
A feitiçaria é um dos temas mais recorrentes em quase todas as mitologias, como acontece, por exemplo, na maia: uma das lendas desta mitologia faz referência a uma deusa feiticeira chamada Malinal-Xóchitl, cujos obscuros poderes fizeram com que o seu irmão Huitzilopochtli a abandonasse; ela decidiu então criar com o seu povo a cidade feiticeira de Malinalco. Mas a história de feitiçaria que mais impacto teve nesta cultura foi a do feiticeiro Tezcatlipoca, irmão do deus supremo Quetzalcoátl, que colocou um espelho de obsidiana perante Quetzalcoátl para que este visse que o seu carácter bondoso era apenas uma máscara. O desgosto que lhe causou o que viu no espelho fez com que Quetzalcoátl se embebedasse com pulque, tivesse relações com a sua própria irmã e, no dia seguinte, ao dar-se conta do que fizera, tivesse desaparecido em direção ao Oriente, deixando o seu povo na expectativa do retorno. Esta lenda acabou por ter consequências na prática, visto que a conquista do México foi grandemente facilitada por grande parte das tribos Maias considerarem Hernán Cortés uma encarnação de Quetzalcoátl.
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