feminismo

O feminismo é uma doutrina que se refletiu em movimentos sociais. Como qualquer doutrina ou corrente social, teve reflexo na sociologia mas não se pode dizer que exista uma corrente sociológica feminista, pois isso seria admitir que a ideologia pode influenciar a ciência.
As primeiras preocupações com os direitos das mulheres datam do Iluminismo, incluidas na defesa do princípio da igualdade entre todos os seres humanos. As origens filosóficas desta preocupação encontram-se na obra de Mary Wollstonecraft, A Vindication of the Rights of Woman (1792), que propunha a igualdade de oportunidades na educação, no trabalho e na política. No século XIX, as exigências das feministas centraram-se no objetivo da obtenção de plena cidadania para as mulheres, que confluiu no movimento das sufragistas. O direito de voto foi genericamente obtido pelas mulheres do mundo ocidental no início do século XX. Pode dizer-se que esta "primeira vaga" de feministas se preocupou com a obtenção da mera igualdade formal entre os dois sexos.
As alterações políticas e sociais que se seguiram à Segunda Guerra Mundial permitiram às feministas da "segunda vaga" avançar um passo na suas exigências reclamando transformações mais profundas e mesmo radicais. Pretendia-se destruir o estereótipo da mulher como um ser fraco, passivo, dependente, menos racional e mais emocional que o homem, bem como a ênfase na mulher enquanto objeto de desejo sexual. Nos EUA dos anos 60, as feministas associaram-se à luta pelos direitos civis para os negros (o Civil Rights Movement) reclamando a libertação das mulheres e dos negros não só aos níveis político e económico mas também aos níveis psicológico e cultural. As preocupações anti-militaristas e ecológicas juntaram-se a esta luta, já que tanto a violência e a destruição ecológica como o racismo a as desigualdades sociais eram vistas como o resultado de séculos de dominação masculina.
Simone de Beauvoir produziu a obra chave da segunda fase do feminismo, o seu livro de grande divulgação Le Deuxième Sexe (O Segundo Sexo, 1949) onde defendeu a ideia de que a libertação das mulheres corresponderia também à libertação dos homens. Outras publicações charneira deste período são: The Feminine Mystique (Betty Friedan, 1963); Sexual Politics (K. Millett, 1969); The Dialectics of Sex (S. Firestone, 1970); The Female Eunuch (G. Greer, 1970) e Women: The Longest Revolution (J. Mitchell, 1974).
Nos anos 80 e 90 do século XX, a influência das correntes pós-modernas e pós-estruturalistas, com o acento no valor da diferença e da pluralidade, tornou o movimento feminista mais sensível às particularidades locais rejeitando a universalidade da perspetiva feminista. Esta diversidade das vozes do feminismo encontra-se em obras como In a Different Voice (C. Gilligan, 1982); Feminist Theory (B. Hooks, 1984); Feminist Practice and Post-Structuralist Theory (C. Weedon, 1987) e Feminism and Psychoanalytic Theory (N. Chodorow, 1989).
Na sociologia, o sexo e o género são considerados, a par da classe, da etnia e da idade, as dimensões base da desigualdade social nas sociedades. Um dos efeitos dos movimentos feministas na sociologia diz respeito às dúvidas acerca da correção de se tomar a posição social do homem para, em estudos de investigação, definir o estrato social de toda uma família.
Como referenciar: Porto Editora – feminismo na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-16 11:17:53]. Disponível em