Fernando Rey

Ator espanhol, Fernando Rey nasceu na Corunha, a 20 de setembro de 1917. Filho de uma família humilde, destacou-se na sua infância e adolescência por ser um aluno brilhante, tendo ingressado em 1935 no curso de Arquitetura da Universidade de Madrid. Em 1936, interrompeu os estudos para juntar-se ao exército republicano, que combateu os nacionalistas, liderados por Franco, durante a Guerra Civil de Espanha. Findo o conflito, decidiu enveredar pela vida artística, fazendo teatro amador e entrando como figurante em filmes como Leyenda Rota (1939), El Rey que Rabió (1940) e A mi no me Mire Usted (1941). A sua grande oportunidade no meio cinematográfico ocorreu em 1944 quando encarnou o Duque de Alba no filme Eugenia de Montijo (1944). Durante as décadas de 40 e de 50, Rey tornou-se num dos galãs mais requisitados pelos realizadores, trabalhando sobretudo em filmes de cariz histórico: foi o Infante D. Afonso, em Reina Santa (A Rainha Santa, 1947), encarnou o rei Felipe V de Espanha, em La Princesa de los Ursinos (1947), Sansón Carrasco, em Don Quijote de la Mancha (Dom Quixote, 1948), foi Filipe, o Belo, em Locura de Amor (1948), e um dos protagonistas de La Señora de Fátima (Nossa Senhora de Fátima, 1951) bem como de Marcelino Pan y Vino (Marcelino Pão e Vinho, 1954). Apesar de, nos anos 50, ter sido requisitado para filmar em França e em Itália (onde foi protagonista de diversos pepluns), a internacionalização da carreira de Rey deveu-se a Luis Buñuel, que o requisitou para protagonizar alguns dos seus mais célebres títulos. A primeira parceria entre os dois foi Viridiana (1961), onde desempenhou o papel de Don Jaime, um aristocrata viúvo que tenta violar Viridiana (Silvia Pinal), a sua sobrinha noviça, suicidando-se em seguida. A polémica que o filme conheceu (a sua exibição chegou mesmo a ser proibida em Espanha) ajudou à sua repercussão internacional, tornando Rey num nome familiar dos cinéfilos. Carol Reed chegou mesmo a oferecer-lhe um pequeno papel naquele que foi o primeiro filme de Rey em língua inglesa: The Running Man (Um Homem em Fuga, 1963), onde trabalhou ao lado de Alan Bates e de Laurence Harvey. Na década de 60, era o ator mais bem pago de toda a Península Ibérica, e alternava a sua presença em épicos como El Senõr de la Salle (1964) e El Greco (1966) com pequenas participações em filmes de Hollywood como Sun of a Gunfighter (1965), Return of the Seven (O Regresso dos Sete Magníficos, 1966), Navajo Joe (1966), um dos primeiros filmes de Burt Reynolds, e Young Rebel (Cervantes, 1967). Voltou a trabalhar com Buñuel em Tristana (Tristana, Amor Perverso, 1970), onde encarnou Don Lope, um idoso que se torna tutor e amante de uma jovem órfã (Catherine Deneuve). No ano seguinte, deu-se a sua consagração internacional, ao protagonizar juntamente com Gene Hackman o grande sucesso The French Connection (Os Incorruptíveis Contra a Droga, 1971), onde deu vida a um poderoso líder de um império de narcotráfico. A década de 70 assistiu ainda a duas brilhantes interpretações de Rey em títulos de Buñuel: Le Charme Discret de la Bourgeoisie (O Charme Discreto da Burguesia, 1972) e Cet Obscur Objet du Désir (Este Obscuro Objeto do Desejo, 1977), último filme do realizador espanhol. Em 1977, venceu o Prémio para Melhor Ator do Festival de Cannes pelo seu trabalho em Elisa, Vida Mía (1977). Rey marcou presença constante em grandes produções televisivas como Jesus of Nazareth (Jesus da Nazaré, 1977), onde encarnou o rei mago Gaspar, e Anno Domini (1985), onde deu vida ao escritor Séneca. Um dos seus últimos trabalhos foi a brilhante encarnação de um Cavaleiro da Triste Figura envelhecido e frágil na série televisiva El Quijote de Miguel de Cervantes (1991). Morreu em Madrid, minado por um cancro, a 9 de março de 1994, deixando atrás de si a presença em cerca de duas centenas de filmes.
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