Filipe Abranches

Ilustrador e autor de banda desenhada português, Filipe Manuel Cardoso Bernardo Abranches Martins nasceu a 5 de novembro de 1965, em Lisboa.
Frequentou o curso de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e formou-se na Escola Superior de Cinema, tendo experiência de montagem de filmes.
A sua obra é vasta e muito heterogénea, encontrando-se dispersa por títulos nacionais como Graphic (1979), Boletim (do Clube Português de BD), Diário Popular, Lua Cheia, LX Comics (1990), Combate, Ai-Ai, Azul, Transcomix (1996), Bíblia (1998), Quadrado (2000-2004) e Satélite Internacional, mas também estrangeiros, como Le Cheval sans Tête, de França, e Strapazin, da Suíça. Embora a publicação das suas histórias nos periódicos e em álbuns coletivos já fizessem de Abranches um valor seguro da BD nacional, os seus livros só começaram a ser editados a partir de 1998, com 16-1 e depois Alô?, dois pequenos títulos integrados na Coleção "Primata Comix".
O seu trabalho mais importante foi, sem dúvida, a realização da original e espantosa História de Lisboa, utilizando um inovador grafismo, segundo guião do conceituado historiador Oliveira Marques. Os seus dois volumes, editados pela Assírio & Alvim e Câmara Municipal de Lisboa (1998 e 2000), apresentam episódios fundamentais da história da Lisboa e da própria história de Portugal, contados pela voz dos protagonistas e do povo que testemunha os acontecimentos, desde o século I a. C. até à revolução de abril.
Esta obra foi traduzida para o francês pela Amok, tendo tido bom acolhimento da crítica gaulesa. Os seus portentosos desenhos originais a sépia (a que Abranches associou outras cores para retratar diferentes épocas) puderam ser apreciados quando estiveram expostos em locais como a Bedeteca de Lisboa, na exposição "Quantas Lisboas Guarda a História?" (2000), mas também na mostra Braga Desenhada, organizada pela Associação Juvemedia em Braga (outubro de 2000).
Filipe Abranches foi o vencedor da primeira Bolsa de Criação Literária, na categoria de BD, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (Ministério da Cultura), que lhe permitiu conceber O Diário de K, uma adaptação de A Morte do Palhaço, de Raul Brandão, que veio a ser editado pela Polvo em 1999.
Em 2003 a Assírio & Alvim, editou Nós Somos os Mouros, álbum coletivo onde Abranches apresenta "Al Um'tamid", história com argumento de João Paulo Cotrim.
Em França, para além da edição da Histoire de Lisbonne da Amok, tem editados trabalhos em títulos coletivos como Lisbonne et l'Encre du Polvo, da Pelure Amère (1994), Porto Luna: Bandes Dessinées du Portugal, Autarcic Comix, ambos da Amok (1995) e Comix 2000, de L'Association, a mais importante editora francesa de BD alternativa (2000).
O seu trabalho é marcadamente experimentalista, utilizando uma linha sombria de impressionante efeito, sobretudo quando recorre à aguarela esbatida para os cenários.
Como ilustrador, colabora com o Público, Combate, O Independente e o conceituado Le Monde (França), mas também faz ilustrações para manuais escolares, entre outros trabalhos.
Em 1998 realizou, com Leonardo De Sá, uma nova versão (digital) de um breve filme animado de Sérgio Luiz, protagonizado pelo Boneco Rebelde, por ocasião de uma exposição na Bedeteca de Lisboa dedicada a Sérgio Luiz e a Guy Manuel, pioneiros do cinema animado em Portugal.
Como referenciar: Filipe Abranches in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-21 14:20:23]. Disponível na Internet: