filosofia

Pitágoras foi, segundo Diógenes de Laércio, o primeiro a utilizar a palavra «filosofia», que é decomposta em duas: filo (amizade) e sofia (saber); o filósofo é, portanto, o amigo ou o amante do saber - esta é a significação com que a palavra aparece também em Sócrates e Platão.

A filosofia é bem representativa da aspiração do ser humano à sabedoria, quer dizer, à pretensão de reduzir a ignorância e a perplexidade que sente perante si mesmo e o mundo que o rodeia.
Mas o filósofo, na sua humildade, sabe reconhecer a própria ignorância perante o mistério que, a um só tempo, o penetra e envolve; sabe, por isso, que não é o detentor do saber, mas que tão-só aspira a ele, sentindo-se inquieto perante o desafio que os enigmas da vida e da morte lhe lançam a todo o momento.
O início do filosofar é o espanto que surge no momento em que o homem, abrindo os olhos para o mundo, percebe que estar vivo é um mistério, é um desafio permanente para o seu ser; o filósofo que acabou assim de despertar não mais deixará de buscar o sentido do mundo.

Na Antiguidade grega, sobretudo com Sócrates e Platão, na linha de Pitágoras, a filosofia era essencialmente o desejo de progresso espiritual, de aperfeiçoamento da alma ou de ascese libertadora em relação às condições do mundo sensível.

Para estes filósofos é, então, uma ânsia, uma aspiração ao superior, à liberdade que não pode ser encontrada no mundo sensível, mundo de aparências e opiniões, bem diferente do mundo da verdade que é o objeto do seu desejo, do seu amor.

Neste sentido, e através destes pensadores, a filosofia ganhou uma dignidade à qual nenhuma outra ciência pode aspirar, pois o objeto de estudo destas últimas, por muito abrangente que seja, é sempre mínimo se comparado com o absoluto a que aspira a filosofia.
O filósofo, nestes tempos áureos, devia ser alguém dotado de múltiplas virtudes: a coragem, a temperança e a justiça (Fédon, 68c-69b).

É através do pensamento que a sabedoria pode ser procurada, por isso os filósofos procuravam exercitar a mente, torná-la sagaz ao ponto de poder apreender os conceitos mais complexos e mais abstratos. Por esta razão se dizia que nas Academias platónicas (a Academia era a escola fundada por Platão, em que se podia aprender a doutrina do mestre) não entrava quem não fosse geómetra, quer dizer, quem não possuísse já o conhecimento propedêutico à filosofia, fornecido pelas disciplinas matemáticas, que dava a destreza necessária à mente do aspirante a filósofo, ou seja, o instrumento necessário para que ele pudesse acompanhar os altos voos metafísicos ensinados pelos mestres das Academias.

Em Aristóteles, discípulo de Platão, encontra-se a mesma ideia, mas através da lógica, que depois os medievais propunham como propedêutica à filosofia. A filosofia, com Aristóteles, define-se como a procura das causas primeiras.

Por muito variados que sejam os sistemas edificados ao longo de dois milénios e meio por centenas de pensadores, o que os faz mover a todos é sempre a ânsia de um saber tão completo, ou até tão simples, que possa chegar ao inatingível, à explicação dos principais problemas colocados ao homem pela existência: o sentido da vida e da morte.

A filosofia procura uma explicação, procura o sentido do universo, não pode ser, por isso, confundida com outras formas de saber, como a mística ou as ciências em geral: a primeira não se preocupa com a explicação, mas com o viver o transcendente; as segundas são apenas abordagens diferentes de objetos muito particulares, quer seja o da química, da biologia ou da psicologia.

A filosofia tem por objeto a totalidade, o absoluto e por essa razão se pode dizer que ela é a ciência das ciências, embora, por essa mesma razão, também se possa acusá-la de não ser objetiva.
Mas é neste paradoxo estimulante que ela vive, desde a sua origem, bem anterior ao das outras ciências.

A filosofia é senhora de uma tradição da qual valerá citar alguns nomes: Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Plotino, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Pedro Hispano, Mestre Eckhart, Descartes, Espinosa, Leibniz, Kant, Hegel, Fichte, Schelling, Nietzsche, Bergson, Husserl, Heidegger, Antero de Quental, Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro, José Marinho.

Por determinação da UNESCO em 2002, foi instituído o Dia Internacional da Filosofia, que se celebra na terceira quinta-feira do mês de novembro de cada ano.
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