Formoso

Papa italiano, de naturalidade romana ou corsa (Córsega), crê-se que terá nascido por volta do ano 815, tendo sido criado cardeal por Nicolau I. Desde 864 que foi bispo de Porto, tendo desempenhado ao longo dos pontificados dos seus antecessores importantes funções. Entre estas funções contam-se a missão na Bulgária, onde pretendiam a sua nomeação para a sede episcopal, que ele não pôde aceitar porque era proibido transferir a sede, assim como a participação no sínodo de 869 (onde se condenou o patriarca de Bizâncio, Fócio) e a incumbência que lhe foi delegada por João VIII de oferecer a Carlos, o Gordo, a coroa de imperador.
A sua linha de conduta sublinhou a supremacia da Igreja romana e tentou harmonizar as Igrejas do Oriente e do Ocidente, tendo igualmente sagrado imperador, de novo, o duque Guido de Spoleto. Contudo, este tomaria Roma e remeteria o papa a um papel secundário. Formoso pediu auxílio ao rei alemão Arnulfo, que chegou apenas em 894 e ocupou o norte de Itália, tendo nesse ano falecido Guido. Roma somente seria tomada à mulher de Guido, Agiltrude, no ano de 896, tendo nesta altura o rei alemão sido coroado imperador.
Após a sua morte e durante o papado de Estêvão VI, foi realizado um sínodo (897) onde se colocou o corpo de Formoso, vestido com os trajes de pontífice, e se julgou o papa pelos crimes de transferência de uma sede episcopal para a outra, de aceder à cadeira de São Pedro por ambição e por perjúrio, sendo a defesa efetuada por um diácono. O corpo profanado acabou por ser atirado ao rio Tibre com os dedos da bênção cortados. O seu corpo foi recolhido na ilha do Tibre por um eremita que lá vivia, tendo sido sepultado na basílica de São Pedro pelo papa Teodoro II.
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