Fortaleza de S. João Baptista

A ilha açoriana da Terceira possui uma notável construção militar, o Forte de S. João Batista ou de S. Filipe, concebido para resistir aos demolidores ataques das modernas técnicas da artilharia pirobalística, vigiando a cidade e o porto de Angra do Heroísmo.
O risco da fortaleza foi realizado pelo arquiteto militar nacional João de Vilhena, de acordo com a vontade das autoridades espanholas ocupantes, sendo concretizado entre os finais do século XVI e a 1.ª metade de Seiscentos.
A sua escala é imensa, atingindo as muralhas mais de uma légua de extensão, o que coloca esta fortaleza entre as maiores realizações militares que se ergueram além-mar, e modificando decisivamente a evolução da malha urbana de Angra do Heroísmo. O perímetro defensivo do Forte de S. João Batista conjuga-se com uma outra fortaleza mais antiga, o Forte do Zimbreiro, erguido em 1581, e a Bateria da Constituição, datada de 1830. Após a Restauração da independência nacional em 1640, as forças ocupantes resistiram obstinadamente no interior de S. João Batista aos ataques portugueses. Somente dois anos mais tarde, em 1642, é que os espanhóis se renderiam e a cidade de Angra do Heroísmo seria totalmente libertada.
Na colina que domina as duas baías portuárias do Fanal e de Angra impõe-se o polígono defensivo de S. João Batista, constituído por grossas e elevadas cortinas, com o parapeito protegido por canhoneiras de formato trapezoidal e em cunha e reforçadas por torres angulares, possuindo ainda inclinados revelins, profundo fosso e poderosos baluartes adjacentes.
Transposto o fosso por uma ponte de alvenaria, o portal nobre da fortaleza mostra uma obra de aparato do reinado de D. João IV. Esta composição arquitetónica em basalto é constituída por arco de volta perfeita, ladeada por pilastras terminadas por pináculos sobre pedestais, encimada por entablamento ressaltado, tendo ao centro uma estrutura decorativa de linhas barrocas com a coroa real de D. João IV.
Intramuros, o espaço apresenta uma série de antigas e modernas construções arquitetónicas, destacando-se destas a imponente silhueta da Igreja do Castelo.
Esta fortaleza está incluída no local classificado como Património Mundial pela UNESCO em 1983 - Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo.
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