Fortaleza-Palácio de S. Lourenço

Próximo da zona portuária da cidade do Funchal destaca-se a Fortaleza-Palácio de S. Lourenço, uma das várias defesas da capital madeiranse e que, pela sua dupla função, constitui o melhor e mais imponente exemplar de arquitetura civil e militar da Ilha da Madeira.
Sujeito a frequentes ataques de pirataria e outras depredações vindas do Oceano, o Funchal equacionou a necessidade de se proteger dessas devastadoras incursões marítimas. Logo em 1513, o seu capitão-donatário manda erguer uma cerca de muralhas e vários fortes complementares, obras que se arrastariam e seriam modificadas ao longo do século XVI. Apesar destes esforços, o sistema de defesas edificado não foi eficaz num ataque corsário que ocorreu em 1566.
Assim sendo, a capital da "Pérola do Atlântico" continuava permeável e exposta. Durante a União Dinástica entre Portugal e Espanha (1580-1640), a Fortaleza de S. Lourenço recebeu os maiores melhoramentos, adequando-se o seu perímetro defensivo às modernas técnicas da pirobalística. Por outro lado, suavizou-se o seu perfil militar com a construção do palácio do governador militar da ilha, edifício que possui uma extensa fachada e que seria remodelado nos séculos subsequentes. De 1635 data a edificação da sua capela, batizada com o nome do santo padroeiro, S. Lourenço. No entanto, deste templo subsiste apenas uma inscrição gravada na cantaria e que alude à sua fundação. Com efeito, as profundas obras de remodelação e adaptação realizadas nos séculos XVIII e XIX alteraram a fachada palaciana e demoliram a capela seiscentista.
Parte do perímetro defensivo da Fortaleza de S. Lourenço foi desmantelada - destino que estaria reservado à maioria das defesas da ilha -, dado que a sua missão militar perdeu importância e a pressão urbanística da cidade funchalense fez sentir o seu peso demolidor. No entanto, as áreas do palácio, jardins fronteiros, certas cortinas e torreões defensivos foram preservados e objeto de obras de beneficiação em 1939, destinando-se as suas dependências a albergar as chefias militares da Madeira. Também neste século S. Lourenço seria classificada como Monumento Nacional.
Pela sua volumetria e extensão impõe-se a fachada do Palácio de S. Lourenço, ritmada pelas suas numerosas janelas e varandas. A porta principal é obra de aparato, sendo sobrepujada por uma escultura alusiva ao santo padroeiro.
O interior palaciano é majestoso e foi também objeto de remodelações nos séculos XVIII e XIX. Das numerosas dependências são de mencionar, pela sua rica ornamentação galante, as denominadas salas do "Dossel", "Boule", "Império" ou ainda a sala "Luís XVI". Grande dignidade artística apresenta um retrato de D. João VI, obra realizada em 1819 pelo pintor Joaquim Leonardo da Rocha.
O Palácio de S. Lourenço é ainda defendido pelos seus poderosos baluartes filipinos, formados por amplas muralhas com esplanadas e canhoneiras protetoras. Na parte leste subsiste um torreão circular manuelino marcado pelo brasão de armas deste monarca, obra provavelmente realizada pelo mestre João de Cáceres - engenheiro militar real e responsável pelas defesas do Funchal a partir de 1513.
Marcado pelas armas espanholas da dinastia filipina, o baluarte norte é um imponente testemunho da renovação e melhoria das modernas defesas de S. Lourenço.
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