Forte da Graça

Nos arredores de Elvas implanta-se - no topo de uma formação rochosa e dominando a planície em seu redor - o poderoso Forte da Graça, colossal e impressionante obra de arquitetura militar do século XVIII e que integrava o formidável polígono de defesas da Linha de Elvas.
Contudo, antes desta magnífica construção militar setecentista, o mesmo local conheceu uma fortificação de menores dimensões. A sua importância revelou-se durante as Guerras da Restauração do século XVII.
Em 1658, o exército português cercava há já quatro meses os espanhóis em Badajoz. Debilitadas e desmoralizadas, as forças nacionais retiraram para a linha defensiva de Elvas. No entanto, Luís de Haro colocou-se à frente de um poderoso exército espanhol e dirigiu-se para esta cidade alentejana. Os papéis invertiam-se. A sedição iniciou-se a 22 de outubro de 1658 e, rapidamente, o Monte da Graça e o seu fortim são ocupados. Desse privilegiado local elevado, os espanhóis instalam as suas peças de artilharia e bombardeiam impiedosamente os sitiados de Elvas. Quase três meses foi o tempo que durou este terrível assédio espanhol, altura em que reforços vindos de Estremoz inverteram a situação. Com efeito, o rumo da Batalha das Linhas de Elvas foi favorável às cores nacionais. Antes de se retirarem, humilhadas e ofendidas, as tropas espanholas procuraram momentâneo refúgio no fortim da Graça.
Mais de um século depois, o talentoso estratega alemão - ao serviço da Coroa inglesa - conde de Lippe veio a Portugal. Para além de ter sido cumulado com honrarias oficiais, Frederico Guilherme foi contratado para reorganizar as forças armadas e as defesas do território nacional. Mais uma vez, a guerra entre Portugal e Espanha assolava as várias localidades fronteiriças. Para além de ter devolvido a disciplina e valorizado a instrução militar, este nobre alemão procedeu à inspeção das fortalezas e à sua moderna renovação. Foi no âmbito desta política de reorganização militar que se inscreveu a nova obra do Forte da Graça. Para além destas determinações, o conde de Lippe trouxe com ele importantes engenheiros militares. As obras deste forte de Elvas prosseguiram e reformularam, em definitivo, o alto do Monte da Graça.
A sua imponência e o seu programa construtivo fazem deste forte um dos mais importantes baluartes do século XVIII. A sua original conceção intimidou os adversários de Portugal, de tal modo que Elvas era uma linha defensiva a evitar pelos invasores do território nacional. Isso foi confirmado no decurso da 3.a Invasão Francesa, quando Soult se limitou a bombardear, de longe, o polígono defensivo de Elvas; no entanto, sem consequências de maior, apesar de ter feito alguns estragos na genial fortaleza setecentista.
O Forte da Graça é formado por quatro poderosos baluartes e grossos panos de muralha, desenhando um quadrado no alto e aplanado monte. As muralhas são cobertas por quatro revelins e por grandes esplanadas. A fortaleza é rodeada por um largo fosso defensivo, transposto por uma ponte levadiça em madeira.
O portal principal - denominado Porta do Dragão - ostenta brasões de armas reais e características castrenses, bem demarcadas pelo seu protetor e largo revelim. A zona nuclear do forte é formada por corpo de planta circular, disposto em dois níveis e protegido por muralha larga com aberturas de canhoneiras.
Dominando a praça de armas destaca-se a volumetria da elevada torre da igreja-palácio do forte. Esta torre setecentista, de cor amarela, corresponde à área da capela, enquanto o palácio do governador militar se dispõe em redor dela, correndo no andar superior amplo terraço de vigia. O interior apresenta dependências elegantemente decoradas por rocailles estuques policromos. Debaixo da capela situa-se a grande cavidade da cisterna. Intramuros, é ainda visível uma série de construções anexas para albergar materiais e homens necessários à defesa deste inigualável forte da raia alentejana.
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