França

Geografia
País da Europa Ocidental, a França é banhada pelo canal da Mancha a norte, pelo golfo da Biscaia a oeste e pelo mar Mediterrâneo e Mónaco a sul, e faz fronteira com a Bélgica e o Luxemburgo a nordeste, a Alemanha e a Suíça a este, a Itália a sudeste e a Espanha e Andorra a sudoeste. Possui uma superfície de 551 500 km2 (incluindo a ilha da Córsega, no mar Mediterrâneo).
As principais cidades são Paris, a capital, com 10,9 milhões de habitantes (2018), Lyon (1,69 milhões hab.), Marselha (1,59 milhões hab.), Lille (1,05 milhões hab.), Toulouse (997 000 hab.) e Bordéus (945 000 hab.).

O território da França apresenta acentuados contrastes em termos de relevo: no Sudeste e Sudoeste, respetivamente, as cadeias montanhosas dos Alpes e dos Pirenéus; na parte central, o Maciço Central; no Nordeste, relevos antigos (Jura, Vosgos, Ardenas); no Norte e Oeste, vastas planícies atravessadas por rios (Sena, Loire, Garona). É nos Alpes Franceses que se encontra o ponto mais alto da Europa Ocidental, o Monte Branco, com 4807 metros de altitude.

Clima
A localização da França condiciona a diversidade e variação climática do país, que tem clima temperado marítimo, no Noroeste, e clima mediterrâneo, no Sul. Para leste, na direção da fronteira com a Alemanha, o clima reflete a influência da continentalidade, traduzida em maiores variações da temperatura entre o verão e o inverno e na maior quantidade de precipitação que ocorre no verão.

Quanto às terras altas dos Pirenéus, dos Alpes, a queda de neve é frequente no inverno, apresentando mesmo neves perpétuas nos pontos mais elevados.

Economia
A França é um dos países mais desenvolvidos da Europa e do Mundo, fazendo parte do G7, o grupo dos sete países mais ricos do Mundo.

Com 3/5 de terra arável, a França é líder do setor agrícola europeu, destacando-se da sua produção os cereais, a beterraba-açucareira, os produtos vinícolas, as frutas, os vegetais e os laticínios. A silvicultura desempenha, também, um importante papel na economia francesa graças à extensa área florestada (cerca de 90 000 km2).

A indústria francesa está muito bem cotada a nível mundial, sobretudo no que toca às indústrias automóvel, aeronáutica, metalúrgica e têxtil, bem como a que está ligada aos produtos químicos e alimentares.

O setor terciário é o setor mais importante para a economia francesa, pois emprega 2/3 da população ativa e representa mais de 60% do PIB. A isto não será alheio o desenvolvimento registado em atividades como o turismo (a França possui inúmeros atrativos turísticos, que vão desde a variedade de paisagens até à famosa cozinha francesa, passando pelas excelentes condições climatéricas e pela sua riqueza histórico-cultural), os transportes e comunicações e a atividade financeira. Os principais parceiros comerciais da França são a Alemanha, a Espanha, a Itália, a Bélgica e o Reino Unido.

População
A população, em 2017, era de 62 814 233 habitantes, e as taxas de natalidade e de mortalidade eram, respetivamente, de 12,2%o e 9,3%o. A esperança média de vida é de 81,9 anos.

A população de origem francesa representa 93,6% da população, seguindo-se-lhe as comunidades portuguesa (1,1%), argelina (1,1%), marroquina (1%), italiana (0,4%) e espanhola (0,4%). Em termos de religião, domina o catolicismo (66%), seguido do islamismo (8%). A língua oficial é o francês.

Arte e Cultura
A França é, desde há séculos, conhecida mundialmente pela sua enorme riqueza cultural. Da pintura à escultura, da literatura ao cinema, este país foi berço de inúmeras correntes artísticas e é enorme a lista de nomes famosos que, ao longo dos anos, têm servido de ponto de referência para muitos artistas espalhados pelo Globo: Victor Hugo, Pierre-Auguste Renoir, Claude Monet, Edgar Degas, François Truffaut, Jean-Luc Godard, entre muitos outros.

História
Apesar de haver vestígios arqueológicos que datam o início da presença humana na era do Paleolítico (100 000 anos), a origem da França como país poderá ser situada no ano de 1200 a. C., ano em que se iniciou a ocupação do território entre o canal da Mancha e os Alpes e o oceano Atlântico e o rio Reno pelos Gauleses (povo de origem celta), que foi batizado de Gália. Em 121 a. C., os Romanos iniciaram a conquista da Gália, sendo concluída entre 58 e 50 a. C. pelo imperador Júlio César.

Com o declínio do Império Romano, a Gália começou a ser ocupada no século V pelos povos germânicos, dos quais se destaca os Sálios que, por volta do século VI, dominavam a maior parte da Gália. Carlos Magno assume a regência da Gália no século VIII, dando início a uma série de conquistas que alargaram o seu domínio em direção a leste e sul, e quando Carlos Magno atribuiu o seu nome ao império que tinha construído (Roma, 25 de dezembro do ano 800), este era a maior potência europeia da época, estatuto para que muito contribuiu o excelente relacionamento com a Igreja Católica Romana, o qual se deve ao apoio e esforço que Carlos Magno dispensou para que se criasse um Estado papal (774).

Com a morte de Carlos Magno (814), o império foi dividido em reinos, sendo o mais ocidental batizado de Francia Occidentalis, território que em 1328 incluía a maior parte da França atual, exceto a Flandres, a Bretanha, a Borgonha e a Aquitânia. Neste ano, com o rei Filipe VI iniciou-se a dinastia de Valois, que se consolidou como família real durante e após a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre a França e a Inglaterra, país que perdeu as suas possessões francesas excetuando a cidade portuária de Calais, no Nordeste da França; no fim do século XV, com a conquista da Bretanha e da Borgonha, o território francês aproximou-se da atual configuração.

O século XVI foi marcado por inúmeras guerras civis de cariz religioso, provocadas pela expansão do protestantismo, e só com a subida ao trono de Henrique IV de Borgonha (um protestante que acabaria por se converter ao cristianismo) em 1589 foi possível pôr um fim ao conflito. Sanada a instabilidade interna, a França rapidamente se tornou uma forte potência europeia e ultramarina durante o século XVII, graças a conselheiros reais como os cardeais Richelieu e Mazarino.

Esta conjuntura permitiu o endurecimento da monarquia, sobretudo com o reinado de Luís XIV, autodenominado Rei-Sol, o qual foi responsável pela instituição da monarquia absolutista. No entanto, o descontentamento popular perante a grave crise económica (provocada por sucessivas derrotas militares ultramarinas) e os excessivos privilégios do clero e da nobreza levaram a que, em 1789, os representantes do povo nas Cortes convocadas por Luís XVI proclamassem a constituição da Assembleia Nacional, o primeiro passo na direção da monarquia constitucional. Contudo, Luís XVI não se mostrou disposto a colaborar com esta reforma política, provocando uma reação violenta por parte da população, cujo clímax se registou com a tomada da Bastilha a 14 de julho de 1789. Contudo, a fraqueza dos sucessivos governos abriu caminho a Napoleão, primeiro como cônsul (1799-1804), depois como imperador (1804-14). O insucesso das suas ambições expansionistas provocou a sua deposição e restituiu a monarquia, a qual vigorou até à derrota francesa na Guerra Franco-Germânica em 1871 (de 1848 a 1852 foi restabelecida a Segunda República sob a presidência de Luís Napoleão Bonaparte, o qual se tornou imperador da França em 1852).

Após o fortalecimento da Terceira República através das eleições de 1879, a França só encontrou a estabilidade em 1899, com a subida ao poder de uma coligação entre o Partido Radical e o Partido Moderado, permitindo um período de desenvolvimento económico e social que seria interrompido com a Primeira Guerra Mundial, da qual saiu vencedora. Esta vitória, conseguida com enormes sacrifícios humanos e materiais, trouxe, no entanto, bastantes dividendos através de indemnizações pagas pela Alemanha. E seriam estas indemnizações a estar na base do ressurgimento da Alemanha como potência ameaçadora, graças ao crescente nacionalismo na sociedade alemã. Em 1939 começou a Segunda Guerra Mundial e em 1940 a Alemanha invadiu a França, destituindo o presidente Albert Lebrun e instituindo o regime colaboracionista de Vichy sob a liderança de Philippe Pétain. Por ação dos Aliados e da Resistência Francesa (organizada em Londres pelo general de Gaulle), a França foi libertada em 1944. Até 1947, a França foi governada por um Governo Provisório, ao qual se segue o estabelecimento da Quarta República com Vincent Auriol como presidente.

Na década de 50 destacam-se dois quadros: o rápido desenvolvimento económico do país, cuja taxa de crescimento simultaneamente igualava a registada pela Alemanha e ultrapassava a média europeia; e a proliferação dos movimentos independentistas nas diferentes colónias francesas, muitos dos quais conduzindo a situações de guerra aberta entre a França e aqueles movimentos. Seria esta última conjuntura a estar na base da instabilidade política interna verificada no fim da década de 50, por ação, nomeadamente, dos grupos extremistas argelinos. Esta instabilidade permitiu o reaparecimento político de Charles de Gaulle que, sob a sua auréola de grande herói da Segunda Guerra Mundial, se assumia perante os franceses como o único capaz de pôr fim à situação vigente, o que favoreceu a aceitação dos seus conceitos sobre o funcionamento executivo do país, ou seja, o estabelecimento do regime semipresidencial que concedia ao presidente amplos poderes executivos.

Quando em 1962, após o fim das guerras coloniais, os líderes partidários começaram a planear a restituição à Assembleia Nacional dos poderes cedidos em 1959, Charles de Gaulle decidiu fazer a sua própria revisão constitucional, da qual constava a eleição por sufrágio universal do presidente da República, o que foi aprovado em referendo realizado a 28 de novembro de 1962, a que se seguiu a reeleição de Charles de Gaulle em 1965, em que tinha como opositor François Mitterrand. No entanto, apesar da consolidação político-financeira, quer ao nível interno, quer ao nível externo, Charles de Gaulle viu-se confrontado, em maio de 1968, com graves distúrbios sociais, numa primeira fase, de origem estudantil, desenvolvendo-se para movimentos sindicalistas, que perturbaram toda a França e, finalmente, levaram à dissolução da Assembleia Nacional por decisão de Gaulle. As consequentes eleições antecipadas deram uma larga vitória aos gaullistas.

Contudo, De Gaulle decidiu colocar em referendo uma série de emendas constitucionais e, implicitamente, o seu prestígio, acabando derrotado e, por conseguinte, abandonando o cargo. Apesar de tudo, o sistema presidencialista imposto por Charles de Gaulle manteve-se desde então. Os gaullistas mantiveram-se no Poder com a eleição de Georges Pompidou, mas em 1974 perderam em favor do candidato conservador, Giscard d'Estaing, eleições das quais também saiu derrotado, novamente, o candidato socialista, François Mitterrand. Este líder partidário acabaria por ganhar as eleições de 1981, graças às reformas propostas ao eleitorado: a nacionalização de um largo setor da economia (incluindo bancos privados e as grandes indústrias), a descentralização administrativa em favor dos executivos locais e regionais e o aumento dos benefícios sociais (pensões, reformas, etc.), entre outras. Estas reformas foram postas em prática após a vitória socialista para a Assembleia Nacional (que tinha sido dissolvida por Mitterrand).

Embora nos primeiros anos estas medidas tenham sido benéficas, a crise internacional impediu o completo sucesso deste programa de reformas, minando a popularidade dos socialistas, o que levaria à vitória de Jacques Chirac nas eleições legislativas de 1986.

A França enfrentava, então, a possibilidade de uma crise política derivada da coabitação entre um presidente socialista e um primeiro-ministro de direita, mas tal não aconteceu graças à liberdade executiva que Mitterrand concedeu a Chirac, optando este pelo respeito absoluto do papel constitucional concedido ao presidente. Esta estratégia daria a Miterrand a vitória nas eleições de 1988, em que derrotou Jacques Chirac, cuja popularidade tinha decrescido nos dois anos precedentes por causa da sua política de inverter as reformas socialistas do início da década.

O segundo mandato de Mitterrand teve como maior preocupação o papel político e económico da França no seio da Comunidade Europeia, sobretudo tendo em conta o fortalecimento da CE previsto para 1992. Deste modo se explica a política de aproximação levada a cabo pela França à Alemanha, no que ficou conhecido por "Eixo Paris-Bona". O decorrer deste mandato revelou-se penoso para o presidente francês, não só pelas dúvidas levantadas em relação à possível colaboração deste com o Governo de Vichy (1940-44), mas também por causa da sua prolongada doença, que o levaria à morte no início de 1996.

Uma série de escândalos de corrupção envolvendo membros do Governo socialista estiveram na base da viragem política registada em França, culminando com a vitória de Jacques Chirac nas eleições presidenciais de 1995.

Nas eleições presidenciais francesas de junho de 2002, Jacques Chirac foi eleito com mais de 80% de votos, embora Le Pen, candidato da extrema-direita, tivesse chegado à segunda volta. Nas eleições regionais francesas de 2004, a esquerda derrotou o centro-direita de Jacques Chirac, embora estas eleições não afetassem a composição do Parlamento francês eleito em 2002.


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