Francisco da Costa Gomes

Militar português, Francisco da Costa Gomes nasceu a 30 de junho de 1914, em Chaves, e faleceu a 31 de julho de 2001. Em 1974, após o triunfo da revolução de abril, apareceu como membro da Junta de Salvação Nacional, a quem o poder foi entregue pelos militares organizadores do golpe.
Militar com longa carreira, fora secretário de Estado num governo de Salazar (1958-1961), tendo sido destituído devido à sua participação no golpe de Estado falhado do general Botelho Moniz. A sua carreira militar decorrera em grande parte nas colónias em guerra (Moçambique e Angola), em funções de comando e direção, após o que assumiu o cargo de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, em 1973. Foi no exercício destas funções que autorizou a publicação do livro em que o general António de Spínola defendia a opção política para pôr termo à guerra, circunstância que acarretou a demissão de ambos.
Quando, em 18 de setembro de 1974, Spínola tentou um golpe de força com a finalidade de impedir a radicalização da revolução e se viu forçado a abandonar os cargos que detinha, Costa Gomes assumiu a Presidência da República. O período que se seguiu seria marcado pelo entrecruzar de linhas políticas antagónicas, que colocaram o país, nalguns momentos mais delicados, à beira da guerra civil. Costa Gomes conseguiu equilíbrios sucessivos entre as forças em conflito, particularmente entre o golpe spinolista de 11 de março de 1975 e o golpe de 25 de novembro, em que as forças esquerdistas foram arredadas do poder, tendo muito provavelmente a sua mediação e negociação constantes impedido o estalar do conflito.
Seria durante o seu mandato (1974-1976) que se concluiria o processo de independência das colónias e seria aprovada a Constituição da República, após o que se procedeu a eleições livres, que levaram à Presidência o general António Ramalho Eanes. Costa Gomes passaria, então, à reserva, vindo a ser promovido marechal em 1981, juntamente com Spínola.
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