Francisco de Holanda

Ensaísta, artista plástico, arquiteto, historiador e crítico de arte português, nascido provavelmente em 1517, em Lisboa, e falecido em 1584. Estudou em Itália, entre 1538 e 1547. Ali teve acesso ao círculo de Vitória Colonna, figura notável do renascimento italiano, facto que lhe proporcionou o convívio com grandes artistas da sua época, como Parmigianino, Giambologna e, em especial Michelangelo Buonarroti, que nele despertou o fervor pelo classicismo.
Regressou, mais tarde, a Portugal, onde obteve várias ajudas da parte do infante D. Henrique, do cardeal-arcebispo de Évora e dos reis D. João III (a mando deste monarca, pintou os livros do coro do Convento de Cristo) e D. Sebastião.
O ideal estético renascentista exprime-se acentuadamente neste autor, que afirma que o dever primordial do artista é cultivar a sua íntima originalidade, "imitar-se a si mesmo"; depois, seguir a lição da natureza (puro espelho do Criador) e a lição dos antigos, mestres imortais de grandeza, simetria, perfeição e decoro.Dotado de uma grande versatilidade intelectual, o autor distinguiu-se pelos seus desenhos da série "Antiguidades de Itália" (1540-1547), pelo seu contributo como instrumento de estudo na reconstituição do património arqueológico romano e da arte italiana da primeira metade do século XVI. Foi ainda autor do projeto da fachada da igreja de Nossa Senhora da Graça, em Évora.
A sua paixão pelo classicismo refletiu-se no seu tratado Da Pintura Antiga, que divulga o essencial da obra de Michelangelo e do movimento artístico de Roma no segundo quartel do século XVI. Escreveu ainda o primeiro ensaio sobre urbanismo na Península Ibérica, como o título Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa, e alguns livros de desenhos como De Aetibus Mundi Imagines e Antigualhas.
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