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François Truffaut

Realizador francês, nascido em Paris a 6 de fevereiro de 1932 e falecido em 21 de outubro de 1984, vítima dum aneurisma cerebral. Reconhecido como líder da Nova Vaga, reagiu contra o enredo linear, defendendo sempre a necessidade de o realizador ter a liberdade de escrever diálogos, inventar histórias e construir um filme capaz de se afirmar como um todo artístico. Com apenas sete anos, apaixonou-se pelo cinema utilizando os filmes como forma de escapar a um lar dominado pelas constantes discussões entre os pais. Em 1946, abandonou os estudos para trabalhar e, no ano seguinte, concretizou a sua paixão cinematográfica através da fundação dum cineclube que atraiu a atenção do crítico André Bazin que o acolhe como discípulo. Em 1953, Truffaut entrou como colaborador para os prestigiados Cahiers du Cinèma, onde escreveu diversos artigos a criticar os realizadores franceses que não impunham qualquer cunho pessoal às suas obras. Bazin colocou-o em contacto com realizadores de nomeada como William Wyler com quem fez uma sólida aprendizagem. Como resultado, realizou a pequena curta-metragem Une Visite (1954) a que se seguiu Les Mistons (1957). Compelido a filmar uma longa-metragem, iniciará eficazmente esse percurso com um filme autobiográfico: Les Quatre Cents Coups (Os Quatrocentos Golpes, 1959), onde apresentou ao mundo o seu alter-ego Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), um rapaz de doze anos em busca de afirmação pessoal tanto na sua família como na escola. Esta estreia valeu-lhe o Prémio para Melhor Realizador no Festival de Cannes. A seguir, surgiu Tirez Sur le Pianiste (1960), um filme de gangsters repleto de humor negro e protagonizado pelo cantor-ator Charles Aznavour. Unanimemente considerado como a sua obra-prima, foi lançado em 1962 Jules et Jim (Jules e Jim), uma pouco ortodoxa história de amor alicerçada num triângulo amoroso representado por uma mulher emancipada (Jeanne Moreau) disputada por dois amigos (Oskar Werner e Henri Serre). Abordou a diferença de idades no amor em La Peau Douce (Angústia, 1964) e cedeu às influências de Alfred Hitchcock no policial La Mariée Était en Noir (A Noiva Vestia-se de Negro, 1968). Pelo meio, realizou a sua única obra falada em inglês, Fahrenheit 451 (1966), um filme de ficção científica baseado numa obra de Ray Bradbury que, apesar de protagonizado por Julie Christie, se revelou um grande fiasco de bilheteira. Voltou ao intimismo com Baisers Volés (Beijos Roubados, 1968) e abordou um episódio verídico desenrolado em finais do século XVIII duma criança abandonada numa floresta que apenas emite sons animalescos e que é acolhida por uma instituição de apoio a surdos-mudos, onde um jovem médico (interpretado sobriamente pelo próprio Truffaut) se interessa pelo seu caso. O filme em questão foi L'Enfant Sauvage (A Criança Selvagem, 1968) e mereceu honras de exibição em Cannes, Veneza e outros festivais de prestígio. Com La Nuit Américaine (A Noite Americana, 1973), venceu o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro. Nesta obra protagonizada por Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Aumont, Jean-Pierre Léaud e Valentina Cortese, Truffaut aborda as peripécias em torno da rodagem dum filme de amor pautada por conflitos e intrigas. Até à sua morte, Truffaut realizou outras obras de qualidade como L'Histoire d' Adéle H. (A História de Adèle H., 1975), onde Isabelle Adjani incorporou a filha do escritor Victor Hugo, e Vivement Dimanche! (Finalmente Domingo, 1983), protagonizado pela sua esposa Fanny Ardant.
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