Franz Boas

Antropólogo, Franz Boas nasceu em 1858, na Prússia (Alemanha), e morreu em 1942, nos Estados Unidos da América. Começou por estudar física e geografia em Kiel, tendo apresentado, em 1881, uma tese de doutoramento na qual problematizava questões relacionadas com a psicofísica, questões essas que, posteriormente, viriam a estar na base da Psicologia Experimental.

Em 1883, participou numa expedição ao Ártico que se prolongou até 1884 e que marca uma viragem no seu percurso científico. Durante esta viagem, Franz Boas, para além do trabalho geográfico, realizou um intenso trabalho de investigação etnológica sobre os esquimós que serviu de base a uma monografia, apresentada uns anos mais tarde, intitulada The Central Eskimo (1888).

A partir de 1885, decide dedicar-se principalmente à Antropologia e, em 1886, empreende uma nova expedição, desta feita ao noroeste do Pacífico para estudar a cultura e a língua dos índios Kwakiuti. Em 1887 muda-se definitivamente para os Estados Unidos da América, abandonando, desta forma, a sua carreira de geógrafo na Alemanha. Chegado aos Estados Unidos, contrai matrimónio e aceita o cargo de redator da revista Science. Contudo, os trabalhos que realiza para a revista Science acabam por abordar, na sua maioria, temas geográficos.

Nos finais do século XIX, a Antropologia ainda não se apresentava como uma ciência estabelecida o que significava perspetivas profissionais bastante limitadas. De qualquer modo, Boas não desistiu de fazer uma carreira em Antropologia e entre 1888 e 1892 trabalhou com antropólogo na Universidade de Clark. Posteriormente, foi nomeado conservador adjunto do American Museum of Natural History de Nova Iorque e, em 1901, assumiu o cargo de Conservador, função que desempenhou até 1905.

Paralelamente, Franz Boas trabalhou desde 1899 como professor de antropologia física na Universidade de Colúmbia e, uns anos depois, como professor de Antropologia, cargo que exerceu até à sua jubilação em 1936.

Segundo diversos autores, Boas foi o antropólogo mais influente da sua época e um dos mais importantes de toda a história da antropologia, tendo contribuído para a consolidação da Antropologia como ciência, bem como para o nascimento do conceito moderno da Cultura, que é, como se sabe, um dos principais objetos de estudo da Antropologia.

Franz Boas recusou sempre as especulações e as grandes sínteses demasiadamente redutoras, preferindo enfatizar a complexidade dos factos.

Numa época em que imperavam teorias explicativas baseadas na raça e na suposta superioridade de determinadas culturas, Boas criticou severamente as conceções racistas que não se baseavam em nenhuma prova científica séria. Do mesmo modo, criticou as ideias evolucionistas da época que pretendiam reconstruir a história humana em fases rigorosamente distintas. Para ele, o facto de uma mesma técnica estar presente em vários pontos do globo não significava que as sociedades estivessem num mesmo estado de evolução.

Defendeu a necessidade de estudar a cultura como um sistema coerente que possui a sua própria lógica, a sua própria autonomia, e estabeleceu como princípios fundamentais a análise dos dados biológicos, linguísticos, históricos e culturais.

Para além de se ter tornado uma das principais figuras da antropologia americana, Franz Boas influenciou profundamente outras ciências, tais como a etnologia, a geografia, a linguística e a arqueologia, bem como toda uma geração de antropólogos notáveis, dos quais de destacam Rober Lowie, Alfred Kroeber, Edward Sapir, Ralf Linton, Margaret Mead, Ruth Benedict, entre outros.

É autor de uma obra imensa que cobre um vasto conjunto de domínios da antropologia, da física, da linguística, da etnologia, dos mitos, das técnicas, etc.

As suas obras principais:

1911, The Mind of Primitive Man
1927, Primitive Art
1938, General Anthopology
1940, Race, Language and Culture


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