Gabriela, Cravo e Canela

A obra Gabriela, Cravo e Canela, da autoria do escritor brasileiro Jorge Amado, foi publicada em 1958 e, posteriormente, traduzida para mais de trinta idiomas. Foi o livro mais vendido no mundo por Jorge Amado e deu ainda origem a uma telenovela, em 1975, produzida pela TV Globo, do Brasil.
Gabriela, Cravo e Canela foi a primeira telenovela a passar em Portugal e teve um enorme sucesso. Chegou à Radiotelevisão Portuguesa em 1977 pela mão de Carlos Cruz. A novela passou na televisão portuguesa entre maio e novembro, sempre em horário nobre, à hora do jantar, e cinco dias por semana. Criou junto do público o hábito de ver telenovelas brasileiras e quem não tinha televisão juntava-se em cafés ou outros estabelecimentos públicos para seguir os capítulos. O sucesso obtido junto do público abriu as portas às telenovelas brasileiras e, desde essa época, passaram na televisão portuguesa dezenas de produções deste país. Primeiro, na RTP, em ambos os canais, mas depois também nas estações privadas que entretanto surgiram, a SIC e a TVI.
O sucesso de Gabriela, Cravo e Canela levou a que também os portugueses se aventurassem na produção de telenovelas, tendo a primeira sido Vila Faia, uma produção da Edipim transmitida entre 1982 e 1983 na RTP. A telenovela brasileira tinha como vedeta principal a atriz Sónia Braga no papel de Gabriela, mas tornou conhecidos do público vários atores brasileiros de renome como José Wilker, Armando Bógus e Paulo Gracindo.
Esta produção brasileira apresentou também aos portugueses uma série de inovações a nível televisivo, como um enredo muito forte, personagens marcantes e situações do quotidiano que se iam adensando e entrelaçando. Para além disso, as personagens eram bem interpretadas e o argumento da novela era bem escrito, apresentando a música como elemento fundamental.
Os atores representavam com naturalidade, o que agradava ao público, cativado ainda por uma história que retratava bem a sociedade no seu todo. Trata-se de uma crónica de uma cidade do interior brasileiro chamada Ilhéus e a história começa em 1925. Nacib, um sírio emigrado no Brasil, fica de repente sem cozinheira e vai procurar de emergência uma substituta ao "Mercado de Escravos", onde tinham acabado de chegar vários refugiados flagelados. É lá que encontra Gabriela, toda suja e maltratada. Mesmo sem estar convencido das suas capacidades para a lide doméstica, acaba por levá-la para casa. Ela acaba por se revelar uma excelente cozinheira e cai nas graças de Nacib. Entretanto, em Ilhéus assiste-se ao regresso de Mundinho Falcão, que tinha ido ao Rio de Janeiro, a sua terra natal, visitar a família e fazer contactos políticos. Mundinho Falcão tornou-se um líder na cidade, o que incomodava o velho coronel Ramiro Bastos, até aí o patrono incontestado. Os dois tornaram-se grandes rivais.
Entretanto, Nacib e Gabriela apaixonaram-se e casaram, mas o casamento trouxe muitas privações a Gabriela. Ela acabou por traí-lo e separaram-se, saindo Gabriela de casa de Nacib. Este, entretanto, associou-se a Mundinho num restaurante e à última hora teve de se socorrer de novo de Gabriela. Ela regressou também a casa de Nacib e voltaram a ter a relação mais liberal que haviam mantido antes de se casarem. Mundinho Falcão, entretanto eleito deputado por Ilhéus, ajudou ao desenvolvimento da terra contra os interesses particulares dos coronéis, até aí os mandantes.
Como referenciar: Gabriela, Cravo e Canela in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-19 03:05:10]. Disponível na Internet: