Galério Maximiano

Galério surge muitas vezes nas fontes com os nomes de Maximiano ou Armentário. Foi nomeado César por Constâncio I Cloro em 293, para reconstituir a recém formada Tetrarquia. Teve que se separar por isso da sua mulher para desposar a filha de Diocleciano, Valéria. Em 296, Galério e Diocleciano, unidos, não conseguiram derrotar o exército do rei persa Narsete. Dois anos volvidos, porém, num feroz e súbito contra-ataque, Galério conseguiu uma retumbante vitória sobre o soberano persa. A sua popularidade e força política dispararam então.
Prudente e desconfiado, Diocleciano tratou pessoalmente de negociar a paz, enviando Galério, César, a comandar as tropas fronteiriças romanas nos Balcãs setentrionais. Galério estabeleceu a sua base operacional e respetiva corte em Tessalonica, no norte da Grécia, uma cidade já habituada a acolher grandes figuras romanas. Agora, com Galério, foi transformada numa cidade imperial, cuja maior imagem de referência era um magnífico arco que comemorava o triunfo de galério sobre os Persas. Esta vitória de Galério, no entanto, alterou o equilíbrio dos poderes no seio da tetrarquia, a chamada concórdia, um acordo de cavalheiros que mantinha a harmonia e a estabilidade na instituição imperial.
Encorajado por sua mãe, Rómula, Galério convenceu Diocleciano que era necessário, em nome do interesse público e da paz, exterminar o Cristianismo. Assim, sem escrúpulos ou hesitações, a partir de fevereiro de 303 Galério dirigiu uma campanha de destruição de edifícios e livros cristãos. No ano seguinte, começou a aplicar a pena de morte. Por outro lado, a ascensão política de Galério, homem ambicioso e sedento de poder, levou-o a começar a pressionar Dicleciano para que abdicasse do poder imperial, algo que seria inédito na história romana. E foi mesmo isso que veio a acontecer, em 1 de maio de 305, com Diocleciano e Maximiano (este por lealdade, ainda que reticente) a abdicarem em favor de Galério e de Constâncio I Cloro. Galério, por seu turno, não perdeu tempo em nomear novos Césares: Maximiano Daia e Severo.
A sequência destas mudanças, uma série de guerras se produziu no Império, com Galério a procurar por todos os meios defender o seu trono e favorecer os interesses dos seus protegidos. Chegaram a existir, em simultâneo, sete pretendentes ao trono, cada um com seu exército, e todos Galério conseguiu suster. Entretanto, por todo o Oriente se continuou a perseguir os Cristãos. Foi num misto de alegria e de desejo de vingança que em 310 estes souberam da notícia de que Galério se encontrava gravemente enfermo, vítima de uma terrível doença (peste). Ironicamente, acabou por falecer na Semana da Páscoa de 311, depois de ainda ter assinado um édito de tolerância parcial para com a Igreja cristã. Este seu último gesto, todavia, não o livrou de duras críticas por parte de autores cristãos, como Eusébio de Cesareia ou Lactâncio, que o compararam, pela sua crueldade e ferocidade, aos seus ursos prediletos.

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