Galieno

Imperador romano (c.218 d. C.-268 d. C.), governou entre 253 e 268, no período dos "imperadores militares". O seu reinado foi dinâmico e passado essencialmente em campanhas militares, mas não deixou de ficar com um rótulo de fracasso militar, económico e administrativo, apesar das reformas empreendidas. Públio Licínio Inácio Galieno foi nomeado César em 253, depois do Senado ter confirmado o seu pai, Valeriano, como Augusto. Pouco tempo depois, Valeriano promoveu-o a Augusto e confiou-lhe a defesa do Ocidente, enquanto ele próprio organizava a defesa do Oriente. Galieno passou o período entre 254 e 256 combatendo os Germanos no Reno, enquanto os seus generais se batiam contra os Godos, os Marcomanos e os Quados, entre outros povos "bárbaros" das margens do Danúbio. Neste espaço de tempo, Galieno empreendeu numerosas e importantes reformas no exército, como a criação de um forte corpo de cavalaria, autónomo e com grande mobilidade, usado como unidade de contra-ataque onde quer que se desencadeasse uma ameaça de invasão do Império.
Entretanto, em 257 ocorreram várias surtidas dos "bárbaros" nos Balcãs, que puseram a nu a desadequação completa das tropas romanas perante este tipo de ataques cada vez mais frequentes. Não longe dali, na Panónia, um usurpador chamado Ingénuo reclama o poder imperial, o que faz com Galieno e o seu comandante de cavalaria, Auréolo, logo o aniquilem. No ano seguinte, em 258, Galieno, concluiu um acordo com os Marcomanos, acabando mesmo por desposar a filha do seu chefe, chamada Pipa (mais uma concubina do que uma esposa). Apesar de alguns sucessos, a situação tendia a piorar, pois em 259-260 Valeriano foi derrotado pelos Persas de Shapur I, que o aprisionam e acabam por matar.
Por isso, nos anos que se seguiram à morte de Valeriano, Galieno teve que enfrentar três usurpações: uma por Fúlvio Macriano e seus filhos (Macriano e Quieto, aclamados imperadores em 260-261), as outras por Regaliano e por Emiliano. Todas não passaram de meras e efémeras bravatas. Em 260, Póstumo rebela-se na Gália, cerca com êxito a cidade de Colónia (Agripina) e aí mata Salonino, filho de Galieno, construindo subsequentemente um império gaulo-romano que durou até 274. Por outro lado, entre 261 e 167 registou-se um período de grande acalmia no limes (fronteira do Império), pois apenas sucedeu uma invasão bárbara na Dácia Inferior (Roménia), uma província que se considerava já perdida. No Oriente, através de uma aliança com Odenato de Palmira, conseguiu também reduzir o perigo de uma ameaça de invasão persa. Em 265 Galieno atacava Póstumo. Alcançou vitórias militares, mas não conseguiu nunca depô-lo do seu "império", talvez devido a um atraso do sempre decisivo Auréolo em intervir na guerra.
Ainda que fosse dinâmico, o reinado de Galieno pautou-se por um fracasso a nível militar, económico e político. Invasões, banditismo, pirataria e infiltrações bárbaras provocaram uma completa anarquia no império. Por exemplo, durante os anos de 260-268 a moeda de prata desvalorizou-se bastante, caindo de uma percentagem de prata de 15% para menos de 2%. Muitos historiadores romanos ulteriores definirão Galieno como um imperador débil, afeminado e covarde; todavia, prefigurou-se sempre como um imperador decidido sempre que tinha que enfrentar inimigos, que combatia sem tréguas. Mas a maior dificuldade residia antes no facto de serem inúmeros os inimigos, tanto externos como internos. De recordar a sua antipatia para com o todo-poderoso Senado, a cujos magistrados retirou o tradicional comando de legiões, reservando para os equites (cavaleiros) todos os cargos tribunícios.
Galieno e sua mulher Salonina participaram ativamente na vida cultural do seu tempo, relacionando-se de forma íntima com vários intelectuais ilustres, como Plotino, o mais famoso filósofo neo-platónico do seu tempo. A escultura, durante o seu reinado, por exemplo, enveredeou por um gosto já "neoclássico" para a época. Outro aspeto em que Galieno ganhou fama foi o fim das perseguições que seu pai movera contra os cristãos.
Em 267, contudo, dão-se novas incursões dos Godos no Império, forçando Galieno a atacá-los. Mas o pior estava para vir: o fiel Auréolo, que estava ao comando da cavalaria romana em Mediolanum (Milão), revolta-se. Galieno teve que recuar dos Alpes para o norte de Itália para enfrentar pessoalmente o problema, cercando Mediolanum. Durante este assédio, porém, acabou por ser assassinado por um grupo de generais revoltosos. Entre estes estava o futuro imperador Cláudio II, o Gótico, que sucedeu a Galieno.
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