Gandhi

Mohandas Karamchand Gandhi, apóstolo da não violência e líder da causa independentista indiana, nasceu em 1869. Seu pai desempenhava funções de magistrado local. Com o objetivo último de seguir idêntica carreira, Gandhi foi para Londres cursar Direito, aí permanecendo de 1888 a 1891. De volta à Índia, teve um ensaio pouco auspicioso na advocacia, o que o levou, em 1893, a assinar um contrato válido por um ano com uma empresa indiana sediada no Natal.
Na África do Sul teve Gandhi consciência plena, pela primeira vez, de como os preconceitos raciais cerceavam a liberdade e corrompiam a justiça. Começou então a sua atividade política, em defesa da minoria indiana naquele país. Acabaria por ficar na África do Sul muito mais tempo do que previra, só regressando definitivamente à Índia em 1914.
Por essa altura, a vivência sul-africana levara-o a amadurecer o seu posicionamento político-ideológico. No regresso ao país natal, Gandhi era já um homem seguro das suas opiniões, dos seus valores e objetivos. Ao mesmo tempo, tivera oportunidade de aprofundar a sua opção de fé (afinal de contas, a verdadeira matriz do seu pensamento), tendo evoluído para uma forma de Hinduísmo que propunha um ideal de vida austera, levada com desprendimento dos bens terrenos, com humildade e equanimidade. Foi, de facto, na religião que colheu os princípios inspiradores de toda a sua ação política. De abnegação e sacrifício, aliás, daria largas provas ao longo dos anos. Entretanto, Gandhi ia manifestando o seu desacordo perante os excessos que o governo colonial inglês, do seu ponto de vista, cometia. A partir de 1920, nomeadamente, ocupou o lugar cimeiro no Congresso Nacional Indiano, e pôde então pôr em prática a sua estratégia de ação política através de um programa de oposição pacífica à potência colonizadora. Esse programa previa um boicote às manufaturas inglesas e uma atitude de desobediência civil por parte dos indianos nas mais variadas instituições do país. Este programa gerou uma onda de adesão massiva no país. Mais tarde o projeto nacional de Gandhi incluiria ainda objetivos educacionais e o desenvolvimento da produção artesanal, realizada por cada um, autonomamente e em autossuficiência, no seu lar (ele próprio se encarregava da produção das vestes que usava).
O longo caminho a percorrer não deixaria de ser atribulado: enquanto apresentava a resistência passiva como uma estratégia política e uma força moral, Gandhi teve que enfrentar, em certos momentos, a violência no país (da parte dos ingleses, mas também da parte de indianos e muçulmanos) e conheceu até o cárcere; por mais de uma vez, ainda, teve que recorrer a jejuns como meio de pressão para acabar com tumultos entre a população. Em 1934 afastou-se do partido, mas nessa altura as suas linhas de ação haviam já deixado uma marca indelével na consciência nacional indiana.
Em 1947 deu-se a independência, obtida contudo em moldes inesperados: o território do país era dividido, surgindo o Paquistão como Estado muçulmano separado. Apenas alguns meses mais tarde, em janeiro de 1948, Gandhi era assassinado a tiro por um fanático hindu. A admiração dos seus compatriotas valera-lhe já o epíteto "Mahatma", a grande alma. A admiração de muitos outros homens asseguraria a sobrevivência dos seus valores e métodos de ação, sobrevivência que bem se revela, por exemplo, no percurso de Martin Luther King, o conhecido ativista norte-americano dos direitos cívicos dos negros.
Como referenciar: Gandhi in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-25 02:16:18]. Disponível na Internet: