Gare do Oriente

O projeto para a Gare, ou Estação, do Oriente de Lisboa enquadra-se num conjunto de gigantescas intervenções planificadas para Lisboa na ocasião da Expo'98 que procuravam transformar uma zona industrial relativamente degradada. A intenção fundamental era a criação de uma nova estação central para a capital que fosse também um interface multifuncional. Para além de responder à necessidade imediata de obter um fácil aceso dos visitantes à exposição, deveria constituir no futuro um dos pontos fundamentais da rede de transportes coletivos da área metropolitana (reunindo caminho de ferro, metro e autocarros). O programa apresentava como aspeto fundamental a relação com o tecido urbano e a paisagem ribeirinha, devendo eliminar o carácter de barreira física, entre a cidade e o rio, que a linha de caminho de ferro constituía na altura.
O concurso para o projeto deste equipamento, lançado em 1994 pelo Estado, teve como vencedor a equipa formada por Santiago Calatrava, arquiteto valenciano nascido em Enimamet em 1951 (licenciado em arquitetura pela universidade de Valência e em engenharia pelo politécnico de Zurique) e por Andrés Caride.
O complexo estrutura-se linearmente entre duas vias perpendiculares ao rio, ao longo de um percurso pedonal que liga os vários setores do programa. Este percurso estabelece-se em diferentes níveis que comunicam com as zonas do interface, atravessa um núcleo comercial, e remata numa ponte que servia de entrada para a área da exposição internacional. A estação encontra-se numa plataforma de nível que fica dezanove metros acima da rua, assumindo-se a forma de ponte de betão armado que galga o tecido viário da cidade. Contendo oito linhas de comboio, é coberta por uma estrutura metálica modular que remete para a imagem de quatro filas de árvores.
O setor ocupado pela estação de autocarros organiza-se longitudinalmente ao longo de um percurso aéreo que liga as várias plataformas de embarque. A cobertura destas plataformas é garantida por membranas de vidro com perfil curvo. A estação de metro é subterrânea e encontra-se diretamente ligada à galeria comercial coberta.
A plasticidade e organicidade da solução formal do conjunto remete para outras obras de Calatrava como a estação do TGV de Liége na Bélgica, projeto de 1996, a estação de Spandau de Berlim (1991) ou a estação do TGV de Rhône-Alpes, em Lyon (1989-1994). As formas de sentido biológico da plataforma de betão armado lembram algumas estruturas de Maillard ou de Saarinen.
Constituindo um monumento intencional e contemporâneo, um dos objetivos da Gare do Oriente foi o de qualificar o tecido envolvente e constituir um elemento ordenador da imagem urbana, um signo de dimensão territorial formado por grandes espaços públicos cobertos.
Como referenciar: Gare do Oriente in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-07-12 22:22:56]. Disponível na Internet: