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garrafa da Coca-Cola
A mítica garrafa da Coca-Cola, imortalizada por inúmeros artistas do século XX, como Andy Warhol, símbolo da sociedade consumista e do fenómeno da globalização cultural, foi inventada em 1915 com o objetivo de criar um recipente original e perfeitamente identificável que diferenciasse este produto dos refrigerantes produzidos pela concorrência.
Em 1886 o droguista de Atlanta, auto intitulado médico, John Stith Pemberton, inventou um xarope feito à base de vinho, cafeína, extrato de semente de cola e de folhas de coca que designou por Pemberton's French Wine Coca, vendendo-o como medicamento. Mais tarde o seu nome foi simplificado, adotando-se a designação comercial de Coca-Cola, que indicava dois dos ingredientes da bebida.
As mais antigas garrafas de Coca-Cola ainda não continham o xarope na sua versão gaseificada, tal como hoje o conhecemos. De facto, a solução carbonatada surgiu por um feliz acaso em 1887, quando um cliente misturou o xarope com água gaseificada.
O primeiro engarrafador do xarope Coca-Cola foi Joseph August Biedenbharn, dono da Biedenharn Candy Company, que escolheu um tipo de garrafa bastante popular na altura, dotada de um sistema de segurança e de pressão para a tampa metálica com revestimento de borracha, conhecido por "Hutchinson". A garrafa era em vidro, tendo gravadas na face lateral, em alto relevo, as palavras Coca-Cola, desenhadas com uma letra bastante popular na altura, designada "Spenserian", que imitava uma assinatura feita à mão.
Este tipo de garrafa foi produzida entre 1894 e 1905 e comercializada nas áreas rurais envolventes de Vicksburg, a sede da Biedenharn Candy Company.
Em 1899, os direitos exclusivos de engarrafamento passam para Benjamin F. Thomas e Joseph B. Whitehead, ao mesmo tempo que a distribuição conhece uma enorme expansão territorial.
Em 1905 foi criado um novo tipo de garrafa, com formato resultante da junção de dois sólidos simples: o cilindro em baixo, rematado superiormente por um cone. Esta garrafa apresentava três novidades: uma cápsula metálica que substituiu a anterior tampa de pressão; o vidro passa a assumir diferentes tonalidades; o nome do produto estava inscrito em rótulos de papel. Estas garrafas não eram inteiramente standardizadas e denunciavam ligeiras diferenças formais que eram acentuadas pelo emprego de várias colorações para o vidro (numa gama alargada que ía desde o ambar bastante opaco, que se acreditava que conservava melhor o gosto do produto, ao vidro transparente branco ou ligeiramente esverdeado ou azulado). Deste modelo de garrafa, que conheceu uma longevidade de pouco mais de uma década, foram produzidas milhões de unidades.
Em meados da década de 10 surge o problema da necessidade de estandardização das garrafas acompanhada pela criação de uma imagem forte traduzida numa forma facilmente identificável pelo público, que obviasse os crescentes problemas das imitações e das cópias clandestinas e que se distinguisse dos outros refrigerantes que apresentavam garrafas similares.
Desta forma, em 1915 foi desenhada uma nova garrafa que se manteria praticamente inalterada por mais de oito décadas. Inventada, sob encomenda específica da Coca-Cola, pelo engenheiro sueco Alexander Samuelson, da companhia de vidros Chapman Root de Terre Haute, Indiana, esta garrafa teve como fonte de inspiração a semente de "coca", que se pensava que tinha uma forma semelhante a um amendoim. Apesar desta referência, a sua forma orgânica e elegante rapidamente foi associada a uma subtil silhueta feminina.
Construída em vidro transparente e ligeiramente esverdeado ou azulado, a metade inferior do recipiente era multifacetado e facilmente reconhecível por tato, ostentado, na zona central a denominação Coca-Cola, gravada em relevo no próprio vidro.
Para impedir imitações, esta garrafa foi patenteada a 16 de novembro de 1915. Algumas pequenas alterações formais introduzidas no modelo da garrafa, tais como a fixação da sua cor ligeiramente verde, determinaram nova patente a 25 de dezembro de 1923 e posteriormente em 1960.
Esta garrafa, produzida desde 1916, tornou-se de imediato o símbolo mais forte da marca e manteve a sua posição dominante no engarrafamento deste produto, apesar da crescente tendência para a utilização das latas de alumínio (desde 1955) e do plástico (desde finais dos anos 60).
Como referenciar: garrafa da Coca-Cola in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-12-14 06:36:30]. Disponível na Internet: