geodesia

Ciência que tem por objetivo essencial a determinação do geoide, figura matemática que define a forma global e as dimensões da Terra, sem ter em conta os pormenores e acidentes da superfície terrestre. É, juntamente com a Astronomia e a Matemática, uma das ciências mais antigas.
A esfericidade da Terra foi estabelecida por cientistas e filósofos gregos da época clássica, e foi Eratostenes, geómetra grego do século III a. C., o primeiro a tentar determinar as dimensões do globo terrestre. Durante séculos os trabalhos geodésicos tinham por objetivo a determinação do raio terrestre através da medição do comprimento do arco meridiano. O astrónomo Piccard em 1668, conseguiu resultados que permitiram a Newton enunciar a lei da atração universal. No seu livro Princípios de Filosofia Natural, publicado em 1687, Newton admitiu que a Terra tinha a forma de um elipsoide achatado nos polos. Esta afirmação criou controvérsia durante muitos decénios, com a oposição do astrónomo Jacques Cassini que afirmou que as conclusões de Newton eram falsas e que a Terra era alongada nos polos. Esta discussão só terminou depois da realização de duas expedições, em 1736, à Lapónia e ao Peru que permitiram demonstrar que o grau do meridiano era maior na Lapónia que no Perú, pelo que a Terra é achatada nos polos. Os geodésicos dos século XVIII e XIX, determinaram a medida do arco meridiano. No fim do século XIX é criada a Associação Internacional de Geodesia, que fixou como objetivo o estabelecimento de redes de triangulação a grande escala que permitissem relacionar os pontos da superfície terrestre com a precisão de algumas dezenas de metros. Contudo, foi a partir da colocação em órbita terrestre de satélites artificiais, a meio da década de 1960, que ocorreu uma transformação radical desta ciência. A partir de 4 de outubro de 1957, data de lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da Terra, foram possíveis observações de carácter global, contínuas, adquirindo-se informações novas, insubstituíveis, sobre a forma da Terra e do seu campo gravitacional, deformações da crosta terrestre, as marés dos oceanos e do globo sólido, as variações de velocidade de rotação e as oscilações do seu eixo de rotação.
É, de facto, graças à multiplicidade dos aparelhos embarcados nos satélites e à especialização sempre acrescida dos sistemas espaciais, que a Terra hoje "é medida de longe" de maneira global e permanente, com uma precisão impressionante. Os fenómenos observados pela geodesia espacial são extraordinariamente variados e dizem respeito, fundamentalmente:
- Ao campo gravitatório, cujas variações geográficas são consequência da desigual repartição da matéria no interior do globo terrestre e, especialmente, às correntes de convecção existentes no manto.
- À cartografia dos relevos submarinos, que se emcontram associados às margens das placas tectónicas.
- Ao movimento das placas tectónicas, e deformações associadas aos fenómenos de vulcanismo, sísmicos e aos movimentos verticais da crosta terrestre, bem como ao movimento das marés do globo sólido e dos oceanos devidas à atração do Sol e da Lua.
- Às alterações da velocidade da rotação da Terra, oscilações do seu eixo, variações temporais do campo gravitatório resultantes da redistribuição de massas de ar ou de água entre a atmosfera, os oceanos e os reservatórios hidrológicos continentais.

O carácter planetário das observações, a sua continuidade temporal e a sua precisão excecional (milimétrica ou centimétrica para as deformações e movimentos lentos) permitem informações de primeira ordem sobre os fenómenos dinâmicos que ocorrem tanto na superfície como no interior do planeta.
Atualmente, a geodesia utiliza um conjunto de técnicas que utilizam principalmente os satélites artificiais e recorre a um conjunto de várias ciências, como, por exemplo, a geofísica, a mecânica celeste, a glaciologia, a oceanografia e a climatologia, para o estudo do planeta Terra como um corpo celeste deformável, em rotação, reagindo à ação das forças externas e internas.
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