Germanos

Nome pelo qual os Romanos do século I designavam os povos de origem indo-europeia instalados fora do Império Romano, a leste do Rio Reno e a norte do Danúbio até ao Vístula. O historiador grego Possidónio, que vivia em Roma, foi o primeiro a usar este termo. Também eram conhecidos por bárbaros.
A civilização germânica, antes de tudo, só pode ser entendida num quadro geral, visto serem inumeráveis os seus povos e não terem unidade política ou definição territorial comum. Estabelece-se, normalmente, e com apoio em dados arqueológicos, a origem dos povos germanos no Sul da Suécia (Escânia), donde teriam irradiado, na Idade do Bronze, para a Dinamarca e Norte da Alemanha. O período decorrente entre o século III e o I a. C. será deveras importante na definição e formação dos povos germânicos, pois é nesta altura que surgem dados claros das suas individualizações étnicas e respetivos assentamentos territoriais, além dos primeiros ataques a regiões romanas, que foram severamente repelidos por Mário e César, na Germânia. Os seus primeiros contactos com o mundo greco-romano devem-se, em parte, talvez a deteriorações de ordem climática (arrefecimentos prolongados) que os impeliram para sul. Eram povos com elevada mobilidade, embora com tendência para a sedentarização. Só no século III d.C. é que os Germanos voltam a atacar o Império Romano, no caso através dos Vândalos e Alamanos, primeiro; Francos, a seguir; novamente Vândalos e Sármatas, depois, apesar de serem repelidos sucessivamente. O número de povos germânicos conhecidos é, nesta data, maior. Há notícias também já das movimentações de um dos grupos germânicos mais importantes e poderosos - os Godos, oriundos da Polónia e em deslocação para o Mar Negro, onde se dividem em dois povos: os Visigodos, ou Godos do Oeste (que atacam sistematicamente o Império a partir de 376, onde alguns se instalam mesmo) e os Ostrogodos, de este. Nos séculos IV e V, os povos germânicos expandem-se por todo o Império. Depois da sua queda final resultante da invasão dos Hérulos, em 476, estabelecem-se os Francos na Gália, Saxões, Anglos e Jutos na Grã-Bretanha, Nerviens e Menapiens na Bélgica e na Holanda, Suevos e Visigodos na Península Ibérica. Registam-se ainda incursões de Vândalos na Península, no Norte de África e Sul de Itália. Lombardos e Ostrogodos, por seu turno, instalam-se na Itália e Balcãs, principalmente. Estas incursões atestam da variedade étnica dos povos germanos, com os seus idiomas e costumes próprios.
Dominadas as legiões romanas e submetidas as populações do Império, rapidamente esses povos fundam reinos germânicos de dimensões, duração e influência histórica variáveis. Recorde-se, neste contexto, entre muitos outros, os reinos anglo-saxões na Grã-Bretanha, os Lombardos na Itália, os Francos na França (que originam, em 800, o Império Carolíngio) e, particularmente, os Suevos e Visigodos na Península Ibérica. Todos estes povos gradualmente assimilarão elementos culturais latinos - menos claros para Norte - como a escrita e a religião. A sua cristianização marca o fim do mundo antigo e o início dos novos tempos e de uma nova Europa.
Os Germanos eram um povo independente, guerreiro, com uma estrutura social baseada nas tribos, alicerçadas no parentesco: o indivíduo, ainda que tivesse uma liberdade alargada, não tinha qualquer expressão fora da tribo, que era chefiada pelo rei, assistido por uma assembleia que geria a vida comunitária. A aristocracia guerreira, donde provinha a família do rei, era o topo da hierarquia das tribos germânicas, secundada pelos homens livres, onde se encontravam os guerreiros, e, por último, pelos escravos, em número abundante, a maior parte prisioneiros de guerra. Eram uma sociedade unida, patriarcal, com forte unidade familiar. Praticavam uma agricultura com tendências coletivistas (o objetivo era sempre a tribo) e uma pecuária intensiva e desenvolvida. Desta atividade advém a curiosa expressão usada para caracterizar as duas Europas pós-Roma: a do Norte, germânica, da "manteiga"; a do Sul, greco-latina, do "azeite". A sua religião era naturalista, com os deuses simbolizando as forças da natureza e os valores guerreiros.
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