Gilberto Gil

Cantor e compositor brasileiro, Gilberto Passos Gil Moreira nasceu no dia 26 de junho de 1942, em Salvador, no Brasil.

A vocação musical despertou cedo na sua vida, pois em criança iniciou o estudo do acordeão. Aos 18 anos, influenciado pela música de Dorival Caymmi e pelo jazz das "Big Bands", formou o conjunto "Os Desafinados", onde tocou acordeão e vibrafone.

Em finais dos anos 50, impulsionado pelo som da bossa nova e por João Gilberto, um dos seus expoentes máximos, Gil trocou o acordeão pela viola e compôs as suas primeiras canções, ao mesmo tempo que estudava Administração de Empresas na Universidade da Bahia.

O ambiente culturalmente efervescente e revolucionário da universidade propiciou a gravação das suas primeiras composições: "Bem Devagar" (1962), com o grupo vocal "As Três Baianas", na qual participou tocando acordeão; "Gilberto Gil - Sua Música, Sua Interpretação" (1963), disco composto por quatro originais; e "Decisão" (1963), um tema samba.

Em 1963, conheceu Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, para, no ano seguinte, juntamente com Tom Zé e outros músicos, estrear o espetáculo Nós, Por Exemplo, um marco no início das carreiras destes artistas. Em 1965, realizou o seu primeiro espetáculo individual, Inventário.
Na segunda metade da década de 60, destacou-se na participação em festivais da canção, então muito em voga, quer como compositor para as vozes de Gal Costa e Elis Regina, quer como cantor. Assumiu particular destaque o tema "Domingo No Parque", segundo classificado no terceiro Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967.

Em finais dos anos 60, com Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, foi um dos fundadores do movimento "Tropicália", que pretendeu revolucionar a música brasileira da época, assimilando elementos da pop europeia nos géneros tradicionais brasileiros como a bossa nova. No disco Tropicália: Ou Panis Et Circensis (1968), um autêntico manual de visitas do movimento, Gil compõe para vários artistas e interpreta alguns temas. A contestação política que acompanhou o "Tropicalismo" levou Gil e Caetano à prisão, em 1969, e mesmo ao exílio na Europa, de onde regressariam em 1972.

Lançou o seu álbum de estreia, Louvação, em 1967, do qual fizeram parte temas marcantes na sua carreira como "Louvação", "Procissão" e "Roda". Seguiu-se-lhe o homónimo Gilberto Gil (1968), que incluiu êxitos como "Domingo no Parque" e "Coragem pra Suportar".

Outros trabalhos importantes do seu longo repertório incluem: Gilberto Gil (1969), um álbum de rock psicadélico que incluiu os êxitos "Aquele Abraço" e "Cérebro Eletrónico"; Gilberto Gil (1971), gravado em inglês na fase do exílio, e do qual fazem parte os temas "Nega", "Crazy Pop Rock" e "Volkswagen Blues"; Os Doces Bárbaros (1976), registo ao vivo do espetáculo que juntou Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa; Realce (1979), que incluiu os temas "Realce", "Toda Menina Baiana", e uma versão de "No Woman, No Cry" de Bob Marley; Um Banda Um (1982), do qual fazem parte os êxitos "Esotérico" e "Andar Com Fé"; Caetano e Gil -- Tropicália 2 (1993), disco que comemorou os 25 anos do movimento; Unplugged MTV (1994); e Quanta (1997).

Em abril de 1999 foi operado às cordas vocais, pouco tempo depois de ter sido premiado com um prémio Grammy na categoria de "World Music" com o álbum Quanta Live.

Em 2000, editou Gil & Milton, um disco na companhia do seu amigo de sempre, Milton Nascimento. Este disco, além de incluir originais da dupla, regista ainda versões de "Something" de George Harrison, de "Yo Vengo a Ofrecer mi Corazón" de Fito Paez, de "Dora" de Dorival Caymmi e de "Xica da Silva" de Jorge Ben. No ano seguinte, chegou às lojas São João Vivo, um registo ao vivo.

No ano de 2002, o músico voltou ao estúdio para homenagear o reggae e, mais particularmente, Bob Marley. Kaya N'Gan Daya, editado no ano seguinte em registo ao vivo, incluía adaptações de músicas de Bob Marley, com letras em português e também originais de Gilberto Gil, sempre na sonoridade reggae.

Aquando da formação do governo de Lula da Silva, após as eleições ocorridas em outubro de 2002, Gilberto Gil foi convidado a ser o ministro da Cultura, cargo que acabaria por aceitar, tomando posse em 2003.


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